Mulher que ajudou na fuga de ativista é liberada pela polícia

He Peirong passou uma semana detida; advogado é espancado após tentar visitar dissidente em hospital de Pequim

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2012 | 03h04

He Peirong, cúmplice da fuga de Chen Guangcheng, foi libertada ontem depois de uma semana de interrogatório em um hotel da cidade de Nanquim, onde vive. Enquanto ela ganhou liberdade, o advogado Jiang Tianyong foi levado pela polícia na quinta-feira e espancado depois de tentar visitar o ativista cego no Hospital Chaoyang, em Pequim.

"Eu estou bem, mas preciso dormir. Estou muito cansada", disse He por telefone ao Estado. Professora de inglês e blogueira, ela liderou uma campanha online pela libertação de Chen e sua família, mantidos durante 19 meses em prisão domiciliar ilegal em Linyi, na Província de Shandong. Ela viajou várias vezes para a vila rural Donshigu, mas nunca conseguiu se encontrar com o ativista.

Na dia 22, He conseguiu furar a segurança que cerca a vila de Chen e entrou no local disfarçada de entregadora de mercadorias.

Horas depois, ela recebeu um telefonema do ativista cego, que lhe disse ter conseguido escapar dos guardas que vigiavam sua casa. He foi ao seu encontro e o levou de carro até Pequim, a 580 quilômetros de distância.

A exemplo dos outros dois ativistas que ajudaram Chen a fugir - Hu Jia e Guo Yushan -, He Peirong não foi acusada de nenhum crime. "Pelo menos não por enquanto", afirmou. Segundo ela, os interrogatórios foram em torno da fuga: como ele conseguiu sair de casa, quem o ajudou, onde ficou quando estava em Pequim. He disse não ter dado nenhuma informação que já não fosse pública.

O advogado Jiang Tianyong tentou visitar Chen pela segunda vez na quinta-feira. Sua mulher, Jin Bian Ling, disse ao Estado que um grupo de policiais à paisana o abordou na frente do hospital por volta das 18h20 e o forçou a entrar em um carro. Jiang foi levado a um local no oeste de Pequim, onde foi espancado. Só voltou para casa às 3h35 de ontem.

Durante o dia, mais de dez policiais vigiavam sua casa. "Eu tentei levá-lo ao hospital por volta das 13 horas, mas não nos deixaram sair", disse sua mulher por telefone. / C.T.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.