Mulher que jantava com capitão deve ser interrogada

Tripulante do Costa Concordia, a moldava Dominika Cermotan estava com Schettino no momento que a embarcação encalhou

ROMA, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2012 | 03h05

O mistério sobre uma bela e jovem mulher, vista ao lado do capitão Francesco Schettino durante o naufrágio do Costa Concordia, há uma semana, chegou ao fim ontem. A moldava Dominika Cermotan, de 25 anos, apareceu na TV de seu país e defendeu o comandante cuja embarcação encalhou nas proximidades da Ilha de Giglio, no noroeste da Itália.

Segundo a imprensa italiana, a Promotoria de Grosseto, que investiga o acidente, pretende interrogar a loira - que já trabalhou como recepcionista no cruzeiro, mas não estava em serviço quando embarcou no navio no dia 13, em Civitavecchia.

Testemunhas contaram que Schettino jantava e bebia vinho com a jovem no momento do acidente. O cozinheiro filipino Rogelio Barista disse que, pouco antes de a embarcação encalhar, Schettino havia pedido uma bebida. Após o impacto, o tripulante disse ter encontrado o capitão "ainda à espera" de seu pedido, que incluía uma sobremesa para Dominika.

"Não fumo, não bebo e não me drogo", disse Schettino quando foi submetido a um exame toxicológico, após o naufrágio.

A moldava confirmou ao programa Jurnal TV que jantava com Schettino no momento que a embarcação encalhou. Ela relatou que foi chamada à ponte de comando para traduzir orientações de emergência aos poucos passageiros russos do cruzeiro.

Dominika disse que Schettino - acusado de abandonar o navio enquanto o perigo ainda era iminente - ficou no navio ao menos até as 23h50, quando ordenou que ela entrasse em um bote salva-vidas. Estima-se que a embarcação tenha encalhado às 21h45.

A moldava confirmou no Facebook que não estava trabalhando na noite do acidente. Sem mencionar o nome de Dominika, a Costa Cruzeiros afirmou que ela estava registrada no navio. Anteriormente, a imprensa local havia relatado que o nome dela não constava das listas de tripulantes nem de passageiros.

Além de abandono de navio - cuja pena chega a 12 anos de prisão na Itália - Schettino é acusado de homicídio culposo (não intencional) múltiplo e naufrágio. O capitão está em prisão domiciliar, no sul do país.

Mergulhadores retomaram ontem as buscas no navio, mas o número de vítimas continua o mesmo: 11 mortos, dos quais 8 foram identificados. As buscas aos 21 desaparecidos concentraram-se na área de onde foram baixados os botes salva-vidas, agora a 20 metros de profundidade.

Uma nova gravação, do primeiro contato entre o navio e as autoridades portuárias após o acidente, foi divulgada ontem. No áudio, a Guarda Costeira pergunta qual o problema com a embarcação e um tripulante insiste tratar-se apenas de um blecaute. A conversa deu-se 30 minutos após o navio encalhar.

O advogado da companhia disse que a empresa se apresentará como vítima no processo de investigação do naufrágio e não arcará com o custo da defesa de Schettino. / AP e EFE

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