Mulher suicida era uma garota de 18 anos

Um dia antes de explodir num supermercado de Jerusalém, Ayat Akhras sentou-se ao lado de seu noivo, para conversar sobre sua formatura no segundo grau e seu casamento no próximo verão. Akhras, de 18 anos, detonou os explosivos amarrados em seu corpo nesta sexta-feira, durante o horário de pico das compras, antes de as lojas se fecharem para o Shabbat judaico. O guarda de segurança que impediu que Akhras entrasse nosupermercado morreu junto com ela, ao lado de uma compradora. Ela morreu, matando mais duas pessoas e ferindo outras 25. A tranquila e aplicada estudante nunca deixou transparecer que havia entrado para as Brigadas de Mártires Al qsa, uma milícia vinculada ao movimento Fatah, de Yasser Arafate que ela planejava promover um ataque suicida. A decepção tomou conta de sua casa e de sua escola. Sua colega de classe Rania Abdullah disse ter visto Akhras hoje de manhã nas ruas do campo de refugiados de Dheishen. "Foi por volta de 8h30 da manhã. Ela disse "Oi" e continuou andando. Fiquei surpresa quando ouvi que ela se explodiu em Jerusalém", disse Abdullah. Diante da casa de Akhra em Dheisheh, perto da cidade de Belém, alguns de seus colegas de escola disseram estar entristecidos com a sua morte, mas que entendiam suas razões para promover o ataque. "Foi um ato corajoso e todos nós gostaríamos de estar em seu lugar", acrescentou Abdullah. Mas a ninguém surpreendeu mais a atitude de Akhra do que a seu noivo, Shadi Abu Laban. Na quinta-feira à noite, os dois conversaram na casa dela sobre as provas para as quais ela estava se preparando. Ela queria formar-se antes do casamento, disseram seus familiares. "Eu jamais a esquecerei, ela continuará viva em meu coração", disse Abu Laban em voz trêmula. Em um vídeo de despedida preparado pelas Brigadas de Al Aqsa, a formanda cobriu de escárnio os líderes árabes. "Estou indo à luta no lugar dos adormecidos exércitos árabes, que estão esperando que as meninas palestinas lutem sozinhas nessa intifada, até à vitória", leu ela em seu comunicado, com a cabeça envolta em um tradicional véu palestino. Horas depois de sua filha promover o ataque, Fatma Akhras ainda estava em estado de choque. "Por que ela não me disse que ia para a morte?", gritava a mãe da estudante. "Eu a teria impedido". As parentes seguraram a senhora Akhras, enquanto ela caía em lágrimas novamente.

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