Mulheres árabes voam por liberdade

Comissárias refletem mobilidade feminina

, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

Marwa Abdel Fathi sorriu satisfeita observando o broche em forma de asa preso no bolso superior do seu impecável uniforme cinza, depois olhou em volta e viu as dezenas de outros comissários de bordo da Etihad, conversando e comendo canapés. Era o dia da formatura da Academia de Treinamento da companhia aérea dos Emirados Árabes. Apesar do orgulho óbvio, Marwa, uma egípcia de 22 anos, estava maravilhada pela conquista. "Nunca na minha vida pensei que poderia trabalhar no exterior", disse.Foi como estudante universitária no Cairo que ela começou a olhar os anúncios de recrutamento para trabalhar em companhias aéreas no Golfo Pérsico. "Minha família achou que estivesse louca. Mas algumas nem deixam as filhas sair de casa." Dez anos atrás, eram raras as mulheres árabes solteiras, como Marwa, que trabalhavam fora de seu país de origem. Mas o aumento pode ser resultado do elevado número de jovens de países árabes pobres que procuram trabalho nos países do Golfo Pérsico ricos em petróleo, dizem os sociólogos, apesar de não haver estatísticas oficiais. As comissárias de bordo são o testemunho da nova mobilidade conquistada por jovens árabes, como aconteceu nos anos 50 e 60 com as mulheres dos EUA. Algumas enfrentam sua nova existência longe de casa levando uma vida quase de freiras. Elas ficam sozinhas e continuam sendo muçulmanas praticantes. Outras, diz Marwa, logo acabam nos braços de homens pouco adequados. "Há dois tipos de mulheres que vêm trabalhar aqui: ou são tão fechadas que não fazem nada, ou nem estão interessadas em voar - estão aqui só para ter alguma liberdade."

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