REUTERS
REUTERS

Mulheres-bomba matam 15 na Nigéria

Duplo atentado suicida, cometido por meninas de 11 e 18 anos, ocorreu em mercado da cidade de Kano; principal suspeito é o Boko Haram

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2015 | 21h58

KANO, NIGÉRIA - Duas jovens, uma com apenas 11 anos e a outra com 18, mataram 15 pessoas em um ataque suicida em um mercado de telefonia móvel em Kano, a maior cidade do norte da Nigéria, informou a polícia local. Nenhum grupo assumiu o atentado, mas o principal suspeito é o Boko Haram, que jurou lealdade ao Estado Islâmico.

O porta-voz da polícia, Musa Magaji Majia, disse que as duas detonaram os explosivos no interior e na entrada do Farm Centre Market. “Quinze pessoas morreram, sem contar as duas terroristas suicidas”, afirmou Majia à agência AFP. Mais de 50 pessoas ficaram feridas.

Segundo dois comerciantes, o ataque deixou 30 mortos. De acordo com Nafiu Mohamed e Suleiman Haruna, a explosão ocorreu pouco depois das 16 horas locais, um horário de grande movimento. Ambulâncias e equipes de salvamento foram enviados ao local.

“Um micro-ônibus parou perto do Farm Center Market e duas mulheres desceram, ambas usando o hijab (o lenço islâmico que cobre a cabeça)”, disse o porta-voz da polícia com base em testemunhos.

“Uma delas entrou no mercado e a outra ficou do lado de fora. Então, detonaram os explosivos que levavam com elas. As vítimas foram levadas para hospitais e, pouco depois, tivemos a informação de que 15 pessoas morreram, sem contar as suicidas”, acrescentou o porta-voz. “O ataque também deixou 53 feridos. A maioria deixou o hospital depois de ser atendida”, disse Majia.

A polícia bloqueou os acessos à cidade de Kano para tentar encontrar o micro-ônibus e os envolvidos no atentado. Na terça-feira, 30 pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas na explosão de uma bomba na cidade de Yola, no nordeste da Nigéria. O atentado ocorreu na área de Jambutu, capital do Estado de Adamawa, onde o grupo jihadista Boko Haram é muito ativo.

O presidente nigeriano, Muhamadu Buhari, anunciou recentemente na cidade de Yola que o fim do Boko Haram estava próximo. O grupo frequentemente recorre a mulheres-bomba e já chegou a usar meninas de até 7 anos em ataques. Nesses casos, frequentemente, os líderes do grupo são os responsáveis pela detonação da carga de explosivos usando telefones celulares.

“Os atentados suicidas são cotidianos no norte e nordeste da Nigéria e são principalmente as mulheres e meninas que vingam a morte de seus maridos ou pais, durante confrontos com o Exército nigeriano”, disse um especialista francês à AFP.

Supostos militantes do Boko Haram também cometeram atentados nos vizinhos Chade, Níger e Camarões nas últimas semanas, mas não atacavam o nordeste da Nigéria desde outubro. Neste ano, o Boko Haram matou mais de 3 mil pessoas, apesar de ter perdido a maior parte do território que controlava. Desde o início do ano, Nigéria e Chade têm coordenado ataques contra o grupo extremista. No entanto, apesar dos avanços obtidos, o Boko Haram continua sendo uma grande ameaça para a região, em parte porque a Nigéria e seus aliados regionais foram incapazes de criar a força multinacional conjunta que havia sido criada nomeio do ano. / AFP e EFE

Tudo o que sabemos sobre:
NigériaEstado Islâmico

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.