Mulheres contam ao 'New York Times' terem sido assediadas por Trump

Mulheres contam ao 'New York Times' terem sido assediadas por Trump

Segundo o jornal americano, os dois casos ocorreram em 1980 e 2005; campanha do magnata classificou reportagem de 'ficção'

O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2016 | 05h00

NOVA YORK - Duas mulheres acusaram na quarta-feira 12 ao jornal The New York Times terem sido assediadas pelo candidato presidencial republicano dos Estados Unidos, Donald Trump, uma delas durante um voo há 30 anos e outra em 2005 dentro de um elevador.

Jessica Leeds, atualmente com 74 anos, disse ao jornal nova-iorquino que em 1980 o empresário, sentado na primeira classe ao lado dela em um voo com destino a Nova York, tocou os seus seios e tentou colocar a mão por debaixo da sua saia alguns minutos após a decolagem. "Era como um polvo", definiu Jessica, que saiu correndo e se mudou para uma das últimas fileiras do avião.

"Foi uma agressão", afirmou ela, acrescentando que não denunciou o caso aos comissários de bordo porque "naquela época as mulheres de negócio frequentemente tinham que suportar esses comportamentos de seus colegas homens".

O segundo depoimento é o da jovem Rachel Crooks. O assédio teria ocorrido no elevador da Trump Tower, em Manhattan, em 2005. Ela explicou ao jornal que se apresentou ao magnata ao entrar com ele no elevador porque sua empresa fazia negócios com a dele. Segundo ela, a resposta de Trump foi um beijo na boca.

"Me beijou diretamente na boca. Foi muito inadequado", contou Rachel, que enfatizou que não foi um acidente, mas sim uma agressão. Depois desse episódio, a jovem voltou a sua mesa e telefonou para a irmã, Brianne Webb, em Ohio, para contar o que havia ocorrido. 

Este segundo caso teria acontecido em 2005, mesmo ano em que foi gravado o vídeo que causou polêmica na campanha do candidato republicano à Casa Branca. Nele Trump faz comentários machistas, vulgares e ofensivos sobre as mulheres e alardeava que tocava as partes íntimas das mulheres sem consentimento.

"Sou atraído automaticamente pelas mulheres bonitas. Começo a beijá-las, é como um imã. Não consigo nem esperar. E quando você é uma celebridade, elas deixam você fazer o que quer", afirmou o empresário no vídeo de 2005. No domingo 9, durante o segundo debate presidencial com a democrata Hillary Clinton, Trump negou ter levado à prática seus comentários, que classificou de "apenas palavras".

Resposta. Segundo o New York Times, o magnata foi comunicado sobre as informações, mas negou sua veracidade. A campanha de Trump classificou como "ficção" a matéria do jornal. "Todo esse artigo é ficção. E para o 'The New York Times' lançar uma difamação coordenada e completamente falsa contra Trump é perigoso", disse em nota o porta-voz da campanha, Jason Miller.

"Ir décadas atrás em uma tentativa de manchar Trump banaliza o assédio sexual e estabelece um novo ponto baixo de até onde os veículos de imprensa estão dispostos a chegar em seus esforços para determinar esta eleição", acrescentou Miller.

A campanha da ex-secretária de Estado também reagiu às acusações de Leeds e Crooks. "Essa matéria perturbadora encaixa tristemente em tudo o que sabemos da forma como Trump trata as mulheres. Sugere que mentiu no debate e que o comportamento desagradável que se presume no vídeo vai além das palavras", destacou a porta-voz democrata Jennifer Palmieri.

Cerca de 50 vítimas de agressões sexuais se concentraram na quarta-feira na porta da Trump Tower para mostrar repulsa ao candidato republicano por suas atitudes e declarações com relação às mulheres. Trump não estava no prédio. /NYT e EFE

 

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