John Thys/ AFP
John Thys/ AFP

Mulheres da oposição ao governo da Bielo-Rússia recebem prêmio da União Europeia

O Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento foi concedido por causa da iniciativa de coordenar a resistência ao presidente Alexandre Lukashenko após eleição presidencial considerada fraudulenta

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 11h43

BRUXELAS - A oposição democrática bielo-russa, liderada por Svetlana Tijanóvskaya, recebeu nesta quarta-feira,16, no Parlamento Europeu, o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento por sua iniciativa de coordenar a resistência ao presidente Alexandr Lukashenko após um processo de eleição presidencial considerado fraudulento.

 "Você mostrou ao mundo o que significa não desistir. Defendeu seus direitos e não desistiu, apesar da dor, sofrimento e medo. Sua coragem e sua força de espírito mostram o caminho da revolução", disse o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, na cerimônia de entrega do prêmio, realizada em Bruxelas.

 Milhares de pessoas estão nas ruas há quatro meses para protestar contra a contagem eleitoral das autoridades bielo-russas, manifestações às quais o governo de Lukashenko respondeu com violência, prisões e repressão, apesar da condenação unânime da comunidade internacional.

Tijanóvskaya, que enfrentou Lukashenko e organizou a oposição contra o considerado o último ditador da Europa, ao receber o prêmio, disse que há o desejo de "uma Bielo-Rússia da qual seus filhos possam se orgulhar e é isso o que os mantém na luta".  "Sou uma dos milhares de bielorrussos que costumavam ter medo. Uma parede invisível de terror foi construída sobre nós e nos impedia, mas neste ano tudo mudou. Neste ano, estamos unidos em nossa aspiração por mudançaa, e juntos acreditamos que a parede do medo pode ser destruída tijolo por tijolo ", disse a líder da oposição.

Em seu discurso, ela iniciou os aplausos no Parlamento Europeu ao mencionar um por um os nomes dos membros do Conselho da Coordenação, muitos deles na prisão ou no exílio e ao declarar que o prêmio pertence aos milhares de bielorrussos que aderiram à luta. O grupo de representantes do Conselho da Coordenação que recebeu o prêmio, entre os quais também estava o ativista Veronika Tsepkalo, mostrou cartazes para exigir o lançamento da líder de oposição e músico María Kolésnikova, na prisão desde setembro passado.

Tijanóvskaya, Tsepkalo e Kolésnikova formam o trio de mulheres que lideraram a resistência pacífica contra Alexandr Lukashenko, mantendo a exigência de que o presidente renuncie, convocando novas eleições e libertando os detidos e prisioneiros políticos, além de exigirem uma investigação aberta contra os responsáveis ​​por violência policial.

O Presidente do Parlamento Europeu, por sua vez, declarou que "a Bielorrússia acordou e não irá dormir novamente", assegurando que a União Europeia (UE) tem o "dever moral" de defender esta luta./ EFE

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