Mulheres denunciam impunidade em casos de feminicídio em Honduras

Estudo mostra que, entre janeiro e março deste ano, 103 mulheres foram assassinadas no país

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2017 | 21h40

TEGUCIGALPA - Um coletivo de mulheres de Honduras denunciou nesta quarta-feira, 19, a ausência da Justiça na maioria dos casos de feminicídio que foram registrados em San Pedro Sula, no norte do país. “Sabemos que há uma ausência na aplicação da Justiça e há um problema no aumento da violência contra mulheres”, disse a coordenadora do Coletivo de Mulheres Contra Homicídios, María Luisa Regalado.

A dirigente feminista participou da apresentação dos primeiros números de uma Auditoria Social sobre os avanços da Unidade Investigativa das Mortes Violentas contra Mulheres e Feminicídio, vinculada à Agência Técnica de Investigação Criminal e Ministério Público. O estudo ressaltou que, entre janeiro e março deste ano, foram registrados 103 feminicídios e que os departamentos de Francisco Morazán, no centro, y Cortés, norte, registraram a maioria dos casos. 

“Com o resultado desse trabalho, podemos constatar a desconfiança das mulheres nas autoridades e a falta de compreensão do tema de feminicídios por parte do operadores da Justiça”, resumiu a auditoria. María Luisa disse que a situação da Justiça “não melhorou, mas piorou” no norte do país, principalmente em San Pedro Sula, a segunda cidade mais importante de Honduras e a que registra os maiores índices de violência. Ela enfatizou que nessa região, as mulheres vivem uma situação de “alto risco” e “não acreditam nas autoridades”, que são vistas como “parte do problema e não a solução”.

Para ela, o local tem menos recursos para fazer a investigação técnica e científica das mortes e os entes jurídicos não foram capacitados sobre as questões de gênero. O estudo sobre violência criminal contra mulheres inclui três casos de mulheres que foram assassinadas sem que a justiça tenha atuado.

O propósito do estudo é chamar atenção para atuação da Justiça a fim de reduzir os índices de impunidade nos casos de feminicídio. Segundo organizações feministas de Honduras, 460 mulheres foram assassinadas em 2016. /EFE

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