Mulheres e crianças são libertadas de avião russo sequestrado

Dois rebeldes chechenos portando facas e dizendo ter uma bomba seqüestaram nesta quinta-feira um Tupolev da companhia russa Vnukovo Airlines, com 174 pessoas a bordo, que ia de Istambul para Moscou, e obrigaram o piloto a desviar o aparelho para o aeroporto de Medina, na Arábia Saudita. Um dos tripulantes foi ferido a facadas por um dos extremistas. O ministro dos Transportes da Turquia, Enis Oksuz, disse que houve uma briga entre os seqüestradores e os comissários na cabine de comando e por isso o avião desceu de repente de 400 metros quando estava para chegar à Arábia Saudita. Quatro horas após a chegada a Medina, e depois de intensas negociações com as autoridades sauditas, os dois homens libertaram todas as mulheres, as crianças, os idosos e o ferido, totalizando 17 pessoas, segundo a Agência Saudita de Imprensa. Outros 15 reféns conseguiram escapar pela porta traseira da aeronave, informou mais tarde a agência. A maioria dos passageiros é de origem russa, e há também 59 turcos a bordo. De acordo com fontes russas, os seqüestradores exigem o fim da guerra na Chechênia, mas altos funcionários do aeroporto disseram que eles querem permissão para seguir rumo ao Afeganistão. Esse país é governado pela milícia islâmica Taleban, a quem a Rússia acusa de dar apoio aos rebeldes separatistas da Chechênia, república russa de população muçulmana. O Tupolev foi desviado cerca de 30 minutos depois de decolar de Istambul, às 13h30 locais (8h30 em Brasília). Em Medina, o avião foi imediatamente cercado por forças de segurança sauditas e estacionado numa área distante das pistas de embarque e desembarque. O movimento de passageiros é intenso no aeroporto porque o haj - a peregrinação anual dos muçulmanos a Meca e Medina - terminou na semana passada e dezenas de milhares de peregrinos estão voltando para seus países. O gerente do aeroporto, Abdul Fatah Mohammad Atta, disse que as negociações estão sendo difíceis porque os seqüestradores não falam nem inglês nem árabe. Diplomatas russos estavam a caminho de Medina para ajudar na mediação. Um oficial de segurança saudita afirmou não haver nenhuma intenção de invadir o aparelho. Segundo a imprensa russa, o chanceler russo, Igor Ivanov, conversou com seu colega saudita, Saud al-Faisal, e lhe pediu que o avião e os seqüestradores (que o serviço secreto russo diz serem quatro e não dois) sejam enviados de volta à Rússia.

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