Mulheres formam milícia por Assad

Elas estão sendo treinadas e recebem armas para proteger dos rebeldes pontos estratégicos da Síria

FERNANDA SIMAS, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2013 | 02h05

Após 22 meses de conflito na Síria, mulheres começam a ser treinadas e armadas e formam o grupo paramilitar "Leoas da Defesa Nacional" para lutar pelo presidente Bashar Assad. Vídeos da rede de notícias RT, publicados no YouTube, mostram sírias sendo treinadas e gritando slogans como "Esteja preparada, Síria. Vamos levantar Assad".

O grupo surge após especulações de que o governo sírio estaria perdendo força no conflito que já deixou 60 mil mortos, segundo a ONU. Durante o levante contra Assad, milhares de militares desertaram e uniram-se aos rebeldes, que lutam pelo fim do regime. Entre os desertores, estão oficiais de alta patente.

O general Manaf Tlas, que desertou em julho de 2012, comandava uma brigada de elite da Guarda Republicana e seu pai, Mustafá Tlas, foi ministro da Defesa por 30 anos na Síria; o general Ibrahim al-Jabawi era vice-comandante da polícia em Homs; o general Abu Furat al-Garabolsi era comandante de uma brigada de tanques. O piloto Hassan Muri Hamada fugiu para a Jordânia.

Além disso, entre dezembro de 2012 e janeiro deste ano, ativistas opositores têm noticiado que rebeldes sírios tomaram bases militares no país, como a de helicópteros de Marj al-Sultan, nos arredores de Damasco, e de Taftanaz, em Idlib. Em janeiro, eles ocuparam uma área da Prisão Central de Idlib e libertaram 300 prisioneiros.

As mulheres do "Leoas da Defesa Nacional" são treinadas, em Homs, para usar armamento pesado e proteger pontos estratégicos do país. "Eu sou uma empregada, mas penso que é bom aprender como usar uma arma e proteger meu país", diz uma recruta à reportagem da RT.

Mais de 500 mulheres já integram o grupo. Outro vídeo, publicado por ativistas sírios no YouTube, mostra algumas mulheres já em atividade, armadas e protegendo uma região da cidade de Homs.

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