Mulheres não são iguais aos homens, diz presidente turco

Recep Tayyip Erdogan afirmou também, durante encontro em Istambul, que só as mães conseguem atingir um status especial

O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2014 | 14h38

ANCARA - O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta segunda-feira, 24, que as mulheres não são iguais aos homens e acusou as feministas de não entender o status especial que o Islã atribui às mães.

Ao falar em uma reunião em Istambul sobre mulheres e Justiça, Erdogan disse que homens e mulheres são criados de formas diferentes, que não se pode esperar das mulheres suportar o mesmo tipo de trabalho que os homens, e que as mães têm um status especial que só elas podem alcançar.

"Não se pode colocar mulheres e homens em pé de igualdade", disse Erdogan. "É ir contra a natureza. Eles foram criados de forma diferente. Sua natureza é diferente. Sua constituição é diferente."

Erdogan acrescentou: "Maternidade é a mais alta posição... Não dá para explicar às feministas. Elas não aceitam maternidade. Não têm esse tipo de preocupação."

A advogada e ativista de Direitos da Mulher Hulya Gulbahar disse que os comentários de Erdogan violam a Constituição da Turquia, as leis turcas e convenções internacionais sobre igualdade de gêneros e não ajudam esforços para diminuir os altos índices de violência contra mulheres na Turquia.

"Esses comentários por funcionários oficiais que desprezam a igualdade entre homens e mulheres têm um papel determinante no aumento da da violência contra as mulheres", disse Gulbahar. "Esses comentários têm como objetivo tornar a presença das mulheres na vida pública - da política às artes, da ciência aos esportes - questionável."

Erdogan, muçulmano devoto, frequentemente provoca controvérsia ao fazer comentários públicos divisivos. Anteriormente, ele provoco a ira de grupos feministas ao declarar que as mulheres deveriam ter pelo menos três filhos e ao tentar criminalizar o o aborto e o adultério.

O presidente turco surpreendeu a comunidade científica este mês ao declarar que os muçulmanos descobriram a América antes de Colombo. /  AP

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