Mulheres no México simulam seqüestro para extorquir maridos

A polícia do Estado do México está torcendo o nariz a cada notificação de seqüestro que recebe. De acordo com a Procuradoria Estadual de Justiça, dos 60 casos registrados desde janeiro, 23 são falsos seqüestros. Detalhe: oito deles foram planejados por mulheres que tramavam extorquir seus maridos para fugir com amantes. "A infidelidade e a falsa ilusão de que tais crimes não serão punidos são os principais motivos que levam as mulheres a cometê-los", avaliou o comandante da Unidade Anti-seqüestros, Rodolfo Ocampo. O caso mais recente aconteceu com uma mulher que, acompanhada de seu filho menor, simulou o próprio seqüestro. Em seguida, fazendo-se de seqüestrador, seu amante telefonou para a polícia exigindo um resgate equivalente a US$ 20 mil para libertá-la. Após uma semana de negociações, cansado, o "seqüestrador" resolveu abaixar o pedido para US$ 700. Quando o casal - que se escondera num hotel com a criança - preparava-se para receber o dinheiro com o qual fugiria para o exterior, foi preso em flagrante. De acordo com estatísticas da polícia, 80% dos falsos seqüestros são planejados por mulheres de classe média. "A maioria delas quer se livrar do marido, mas teme passar necessidades financeiras e acha que o crime não será descoberto. No final, porém, a história acaba mal, ou o dinheiro que se pretendia termina sendo bem menor", adverte Ocampo. Não menos de 40% dos auto-seqüestros termina com a prisão dos envolvidos. Embora as simulações geralmente envolvam duas pessoas (mulher e seu amante), a polícia não tem deixado de registrar casos envolvendo apenas uma "vítima". Foi o que ocorreu, este ano, num episódio envolvendo o filho de um grande empresário de Toluca, a capital do Estado do México. Depois de simular seu seqüestro, e o roubo de US$ 75 mil de um cofre da casa do pai, o rapaz foi capturado gastando o dinheiro em Acapulco.

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