Mulheres pedem fim da violência paramilitar na Colômbia

A organização feminista colombiana Rota Pacífica das Mulheres saiu, na quinta-feira, às ruas da capital, Bogotá, para pedir o fim da violência contra as mulheres praticada por grupos armados ilegais. "Nós, mulheres, não somos despojos de guerra. Somos pela vida e pela paz", dizia um dos cartazes exibidos na manifestação que reuniu mulheres das regiões mais afetadas pela violência dos grupos armados. Nesses locais, as mulheres são as que mais sofrem com a crueldade da guerra. Segundo estatísticas da organização feminista, desde janeiro de 2003, quando começaram as negociações com o governo de Alvaro Uribe, até hoje, 281 mulheres foram vítimas da violência dos grupos armados, sendo que 90 delas foram assassinadas. "As mulheres esperam por Justiça e reparação (dos danos sofridos)", disse à televisão APTN Luz Marina Gallego, organizadora da manifestação e coordenadora geral da Rota Pacífica das Mulheres, que durante dois dias vai comemorar os dez anos de criação da entidade. Segundo Luz Marina, além de maus-tratos físicos, assassinatos e desaparecimentos, as estatísticas mostram um número elevado de mulheres colombianas violentadas pelos paramilitares. Há cerca de cinco anos, a entidade vem realizando em diferentes cidades do país manifestações mensais, com mulheres vestidas de preto em sinal de luto pela perda de filhos e maridos que caíram nas mãos da guerrilha esquerdista e de grupos paramilitares de ultradireita. Para a socióloga Claudia Naranjo, que veio da cidade de Bucaramanga, a 300 quilômetros ao nordeste de Bogotá, para participar do protesto, é importante que as mulheres sejam incluídas nas negociações de paz que vem promovendo o presidente Uribe. "Queremos a desmilitarização da vida", afirmou. Um dos objetivos do movimento feminista colombiano é insistir nas negociações políticas pacíficas, para colocar um ponto final a mais de quatro décadas de situação de guerra no país.

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