Mulheres presas por 30 anos estariam ligadas a culto

As três mulheres supostamente mantidas em regime de escravidão por 30 anos no Reino Unido compartilhavam crenças ideológicas com seus carcereiros, segundo divulgado pela polícia britânica neste sábado. Os suspeitos de aprisionar as mulheres - um homem e uma mulher vindos da Índia e da Tanzânia - conheceram duas das vítimas e viveram com elas nas mesma casa em uma espécie de habitação coletiva, aparentemente na região de Brixton, no sul de Londres.

AE, Agência Estado

23 de novembro de 2013 | 20h33

"Nós acreditamos que duas das vítimas conheceram o suspeito masculino em Londres, por meio de uma ideologia comum, e que eles viveram juntos em uma casa que podemos efetivamente chamar de ''coletiva''", disse o comandante da política metropolitana, Steve Rodhouse. A convivência coletiva depois foi rompida, mas as mulheres continuaram na casa, por motivos que a polícia ainda desconhece.

A terceira vítima é uma mulher de 30 anos, que aparentemente passou a maior parte da sua vida sob controle dos dois suspeitos, com pouco contato com o exterior. "De alguma forma a convivência coletiva chegou ao fim e as mulheres continuaram vivendo com os suspeitos. Como isso perdurou por mais de 30 anos é o que nós estamos tentando entender, mas nós acreditamos que abusos emocionais e físicos fizeram parte da vida das vítimas", explicou Rodhouse.

Esta semana a polícia britânica revelou que uma mulher de 69 anos, da Malásia, outra de 57 anos, da Irlanda, e uma terceira de 30 anos, nascida no Reino Unido, foram libertadas após três décadas, levantando questões sobre como essa situação pode ter sido mantida em segredo por tanto tempo. A polícia não revelou detalhes sobre a "convivência coletiva" ou as ideologias que ligaram essas mulheres aos suspeitos.

A polícia diz que as três vítimas eram sujeitas a constantes agressões e mantidas presas por "algemas invisíveis", em vez de amarras físicas. As autoridades indicam que a situação não envolvia abuso sexual. Os suspeitos, ambos de 67 anos, foram presos e liberados após pagar fiança. Uma audiência sobre o caso deve ocorrer em janeiro, mas eles não foram formalmente acusados de nenhum crime.

Uma certidão de nascimento da mulher de 30 anos foi encontrada, mas a polícia não revelou se ela tem algum parentesco com os suspeitos ou as outras duas vítimas. Segundo Ian Haworth, fundador do Centro Britânico sobre Cultos, as vítimas podem ter sido submetidas a técnicas de controle da mente. "Tudo o que eu ouvi sugere que pode se tratar de alguma espécie de culto. O uso da expressão ''algemas invisíveis'' reforça isso. É uma grande descrição de controle mental, coerção psicológica e reforma do pensamento", afirma.

Segundo o especialista, as vítimas, que aparentemente podiam sair do apartamento em determinadas situação, sempre acompanhadas dos suspeitos, podem ter sido programadas para pensar que a casa era o único local seguro do mundo. "Você parece ser livre para ir e vir, mas não é. Em um culto, você é programado para pensar que todos de fora do grupo são contra você", explica. De acordo com Haworth, pode levar um ano para que as vítimas consigam se livrar dessa personalidade imposta. A situação da mulher mais nova, que viveu praticamente a vida inteira nessa situação, é mais complicada.

O caso foi revelado quando a mulher irlandesa ligou para a organização não governamental Freedom Charity no mês passado e disse que estava sendo mantida presa juntamente com outras duas vítimas. A organização passou a trocar telefonemas com a mulher e avisou a polícia. Duas das vítimas acabaram deixando a casa por conta própria e a terceira foi resgatada pela polícia. Fonte: Associated Press.

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