Mulheres querem participar das negociações de paz no Afeganistão

Uma mulher afegã pediu nesta quarta-feira ao Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas que garanta a participação das mulheres em qualquer negociação de paz, apesar do status de segunda classe que lhes atribui o Taleban. "Não pensem que as afegãs, por usarem véu, não têm voz", disse Jamila, que está à frente de uma organização de ajuda às refugiadas afegãs no Paquistão. "Quando a ONU precisar de líderes, pode nos procurar". No primeiro aniversário de uma resolução da ONU que comprometeu os governos a incluir as mulheres nas negociações de paz e a protegê-las contra os abusos da guerra, Jamila se uniu às ativistas de Kosovo e Timor Oriental para pedir que o Conselho cumpra seus compromissos. "Tenho escutado com freqüência que as mulheres afegãs não são políticas, que a paz e a segurança é tarefa de homens. Estou aqui para contestar essa ilusão", disse Jamila aos membros do Conselho durante um encontro a portas fechadas nesta terça-feira. "Durante os últimos 20 anos de minha vida, a liderança dos homens só trouxe guerra e sofrimento". A proposta das mulheres foi divulgada em uma entrevista à imprensa que se seguiu à reunião desta terça-feira. Os membros do Conselho aprovaram nesta quarta-feira uma declaração que pede maior empenho na implementação da resolução do CS e que foi lida pelo ministro do Exterior irlandês, Brian Cowen. Nela, o Conselho reiterou seu "firme apoio ao crescimento do papel da mulher na tomada de decisões no que diz respeito à prevenção e resolução de conflitos". E também renovou seu pedido aos Estados para que "incluam as mulheres nas negociações e na implementação dos acordos de paz, das Constituições ou das estratégias para a recuperação e a reconstrução" de um país ou região. Leia o especial

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