Denis Balibouse/Reuters
Denis Balibouse/Reuters

Mulheres sauditas se revoltam com cidadã-robô que não precisa usar hijab

Sophia, primeiro robô do mundo a receber cidadania, também não tem de andar acompanhada de um guardião homem e tem mais direitos do que as outras sauditas 

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 17h54

BEIRUTE - Mulheres na Arábia Saudita criticaram a decisão do governo de conceder cidadania a uma robô que, ao contrário delas, não precisa de um guardião homem ou deve cobrir sua cabeça para sair em público.

+Arábia Saudita é primeiro país do mundo a dar cidadania a um robô

Nas redes sociais, muitos perguntaram se a robô, Sophia, revelada na última semana em uma feira de tecnologia em Riad, será tratada como outras mulheres do reino conservador agora que é uma cidadã.

“Atingiu um ponto sensível, que um robô tenha cidadania e minha filha não”, disse Hadeel Shaikh, uma mulher saudita cuja filha de 4 anos com um homem libanês não tem cidadania. Mulheres casadas com estrangeiros na Arábia Saudita não podem passar sua cidadania para os filhos.

A criação da primeira cidadã ciborgue do mundo é o mais recente anúncio surpresa do reino, que em julho concedeu a mulheres o direito de dirigir e permitiu que elas assistam esportes em estádios, antes exclusivamente masculinos, a partir do próximo ano.

Um sistema de guardiões na Arábia Saudita também exige que um familiar homem dê permissão para que uma mulher possa estudar fora do país, viajar e realizar outras atividades.

“Estou me perguntando se a robô Sophia pode deixar a Arábia Saudita sem o consentimento de seu guardião”, escreveu no Twitter a feminista saudita Moudi Aljohani, que mora nos Estados Unidos./ Reuters 

 

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