Mulheres vão às ruas contra regime da Síria

Protesto contra prisão de 350 ativistas faz governo recuar e libertar 100 dissidentes

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Munidas de lenços brancos e ramos de oliveira, milhares de mulheres e crianças marcharam ontem em Baida, na Síria, para protestar contra a prisão de cerca de 350 opositores pelo regime de Bashar Assad na terça-feira. "Não aceitaremos a humilhação", gritavam as manifestantes. Elas bloquearam uma importante rodovia costeira. Numa tentativa de acalmar as manifestantes, as autoridades sírias soltaram cerca de cem prisioneiros.

Moradores de Baida dizem que as tropas sírias mataram pelo menos quatro opositores refugiados numa mesquita nos confrontos de terça-feira. Feridos teriam sido impedidos de receber atendimento médico. Segundo as testemunhas, as mulheres pretendem continuar o protesto até que todos os dissidentes sejam libertados. "Invadiram minha casa e prenderam meu pai", disse uma jovem de 21 anos. "Não sairei daqui até que ele nos seja devolvido."

Ontem, ativistas disseram que pelo menos 150 estudantes protestaram contra o governo em universidades de Damasco e Alepo, algo incomum nessas cidades, cuja maioria dos habitantes é favorável a Assad. O ato teria sido reprimido pelas forças de segurança. A TV estatal, controlada pelo regime, noticiou que 50 estudantes participaram do protesto.

Segundo organizações de direitos humanos, ao menos 200 pessoas morreram desde que os protestos contra o regime começaram na Síria, há quatro semanas. Os EUA e a União Europeia (UE) ainda não exigem a saída de Assad, mas têm pedido ao líder sírio que contenha a violência contra manifestantes.

O presidente prometeu reformas e fez concessões à minoria curda e a religiosos islâmicos. Ele também trocou o gabinete de governo, mas o estado de emergência, vigente desde 1963, ainda não foi levantado. Assad atribui a agentes estrangeiros a onda de protestos pró-democracia no país.

Os atos contra o regime estão concentrados em Deraa, na fronteira com a Jordânia, e em Latakia, na costa, além de vilas menores, como Baida. Nas primeiras semanas, os opositores pediam o fim das leis de exceção, usadas por Assad para restringir as liberdades individuais dos cidadãos sírios. Agora, algumas facções passaram a pedir abertamente sua queda. Ele está no poder desde 2000. / COM REUTERS

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