Multidão cruza barreiras e põe fim à divisão de Monróvia

Após dez semanas de cerco rebelde, dezenas de milhares de civis famintos cruzaram nesta sexta-feira as barricadas nas pontes que marcavam as frentes de batalha e, com as mãos para cima diante das forças de paz oeste-africanas, reuniram a dividida capital da Libéria. Fuzileiros da Marinha dos EUA e membros da força de paz se puseram em guarda na zona desde que o primeiro barco carregado com víveres a atracar no porto foi atacado com projéteis. Os membros da força de paz haviam planejado abrir as pontes de Monróvia mais tarde hoje, mas a multidão cruzou as cercas de arame farpado logo após o amanhecer.Uma mulher que acabara de receber suprimentos se deteve na ponte para dar farinha de milho a um grupo de crianças famintas. Um dos meninos do grupo, Soleh Fando, disse que não havia comido nos últimos quatro dias. Homens e mulheres abraçavam os seres queridos dos quais haviam ficado separados devido ao cerco, durante o qual morreram pelo menos mil civis. A fome foi maior do lado da cidade controlada pelo governo do ex-presidente Charles Taylor, cuja renúncia seguida de sua saída do país na segunda-feira criou condições para a entrada na cidade semidestruída e dividida pela guerra das forças de paz e de 200 marines dos EUA.

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