Sitthixay Ditthavong/AP
Sitthixay Ditthavong/AP

Multidão de ilegais adere a plano de Obama

Dream Act, plano do presidente norte-americano, entrou em vigor nesta quarta-feira

estadão.com.br,

15 de agosto de 2012 | 21h39

WASHINGTON - Imigrantes levados aos Estados Unidos durante sua infância que vivem clandestinamente no país formaram filas nesta quarta-feira, 15, para ingressar no programa criado pelo governo de Barack Obama que, temporariamente, suspende processos de deportação dos estrangeiros e lhes concede permissões de trabalho e permanência no território americano. Calcula-se que até 1,7 milhão de pessoas possam ser beneficiadas pelo programa.

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Centenas de jovens – conhecidos como "dreamers" (sonhadores, em inglês) – lotaram centros comunitários em todo o país exibindo olhares e atitudes de euforia e desconfiança, esperança e receio. Procuravam se informar a respeito de seus novos direitos, falar com advogados ou preencher grandes planilhas que, acreditam, lhes abrirão as portas para um futuro melhor.

"Essa é uma oportunidade enorme para mim. Pensei que terminaria o ensino médio para acabar em uma fábrica ou algo assim. Mas agora vou estudar medicina e logo poderei trabalhar. Estou meio nervosa, mas muito alegre", disse a equatoriana Lorena Montalbán, de 18 anos, que foi a uma igreja de Nova York buscar informações sobre o programa.

Para o mexicano Moisés Serrano, de 22 anos, "essa é a notícia mais importante para o movimento imigratório em mais de 25 anos". "É como um raio de luz em nossas vidas", disse, na Carolina do Norte, o jovem, que foi trazido pelos pais para os EUA quando tinha 18 meses, afirmando estar contente com a possibilidade de "sair das sombras". Cada imigrante que adere ao plano paga US$ 465.

Os democratas do Congresso tentaram sem sucesso aprovar o Dream Act (lei do sonho, em inglês), que garantiria o direito de residência e a chance de tornar-se cidadão americano a imigrantes ilegais sem antecedentes criminais, que tivessem se formado em alguma faculdade ou servido às Forças Armadas.

Diante da falha dos congressistas, Obama decidiu tratar do assunto com as próprias mãos e, em junho, anunciou a Ação Diferenciada para Chegadas na Infância (Daca, na sigla em inglês), que passou a vigorar nesta quarta.

O programa permite a suspensão, por até dois anos, de processos de deportação de estrangeiros que tenham sido trazidos para os EUA irregularmente quando eram crianças, completaram 31 anos até o dia 15 de junho – data do anúncio da medida – e atendam aos seguintes requisitos: estar em território americano há pelo menos 5 anos e ter chegado antes dos 16 anos; ter se formado no ensino médio no país ou estudar para isso; estar prestando serviço militar às Forças Armadas americanas; e não ter antecedentes criminais.

Com o adiamento da deportação aprovado pelos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS, em inglês), os imigrantes poderão pedir permissões de trabalho e solicitar uma nova suspensão nos processos que pretendem obrigá-los a deixar o território americano.

Ressalva

O diretor da agência de cuidado aos imigrantes, Alejandro Mayorkas, porém, lembrou que o procedimento não dará aos ilegais direitos de residência plena. Na terça-feira, ele garantiu que os USCIS estão preparados para atender às inúmeras solicitações esperadas para as próximas semanas.

O programa tem provocado críticas dos adversários dos democratas. "O presidente Obama e sua administração põem, rotineiramente, a política partidária e os imigrantes ilegais acima do estado de direito e do povo americano", disse o deputado republicano Lamar Smith. Para ele, a medida favorecerá fraudes e causará desemprego.

Com AP e NYT 

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