Multidão em fúria invade Parlamento do Kuwait

Milhares de pessoas tomam sede do Legislativo do país do Golfo Pérsico após policiais reprimirem duramente protesto pela renúncia de premiê

KUWAIT , O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2011 | 03h07

Milhares de kuwaitianos invadiram ontem o Parlamento do país depois que a polícia e membros das forças de elite espancaram manifestantes que protestavam e pediam a renúncia do primeiro-ministro Nasser Mohamed al-Ahmed al-Sabah. "Agora, nós entramos na casa do povo", disse Barrak Mussallam, um dos líderes da manifestação, ao lado de vários ativistas que acusam os parlamentares de corrupção.

Os manifestantes quebraram os portões do edifício e entraram no salão principal do Parlamento, onde cantaram o hino nacional do Kuwait e se retiraram logo em seguida. Mais cedo, a polícia havia usado violência para impedir que os manifestantes marchassem rumo à residência do premiê, que é membro da família real.

Testemunhas disseram que pelo menos cinco manifestantes foram feridos e levados para hospitais da capital. Alguns ativistas disseram que continuarão acampados diante do Parlamento até que o primeiro-ministro seja demitido ou renuncie.

Gritando palavras de ordem contra o primeiro-ministro kuwaitiano, os manifestantes tentaram protestar diante da casa do premiê, quando a polícia bloqueou a marcha, a primeira manifestação política de grande importância no Kuwait desde dezembro, quando as forças de elite espancaram manifestantes e deputados durante um comício.

A tensão no Kuwait, país do Golfo Pérsico rico em petróleo, aumentou muito nos últimos três meses, após denúncias de que 16 deputados do Parlamento - composto por 50 membros - havia recebido cerca de US$ 350 milhões em subornos.

Corrupção. A oposição vem conduzindo uma campanha para derrubar o primeiro-ministro, acusam de não conseguir comandar o país e combater a corrupção, que teria se tornado generalizada entre membros do governo.

Ontem, antes do confronto entre a polícia e os manifestantes, cerca de 20 deputados da oposição boicotaram uma sessão parlamentar. Na terça-feira, o governo rejeitou um pedido feito pela oposição para interrogar o primeiro-ministro sobre os casos de corrupção.

Após a rejeição, três deputados opositores entraram com um novo pedido para interrogar o premiê sobre os escândalos envolvendo deputados e eventuais transferências de dinheiro para o exterior.

O premiê Al-Sabah, de 71 anos, tem sido alvo de críticas constantes da oposição desde que foi nomeado para o cargo, em fevereiro de 2006. Durante esse período, ele foi forçado a renunciar seis vezes - e sempre reconduzido ao posto pelo emir Sabah al-Ahmed al-Sabah. Nos últimos cinco anos, o Parlamento foi dissolvido três vezes. / REUTERS e AP

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