Multidão invade Parlamento do Kuwait

Milhares tomam sede do Legislativo após policiais reprimirem protesto pela renúncia de premiê

Reuters e Associated Press

16 de novembro de 2011 | 20h57

KUWAIT - Milhares de kuwaitianos invadiram o Parlamento do país nesta quarta-feira, 16, depois que a polícia e membros das forças de elite espancaram manifestantes que protestavam e pediam a renúncia do primeiro-ministro Nasser Mohamed al-Ahmed al-Sabah. "Agora, nós entramos na casa do povo", disse Barrak Mussallam, um dos líderes da manifestação, ao lado de vários ativistas que acusam os parlamentares de corrupção.

 

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Os manifestantes quebraram os portões do edifício e entraram no salão principal do Parlamento, onde cantaram o hino nacional do Kuwait e se retiraram logo em seguida. Mais cedo, a polícia havia usado violência para impedir que os manifestantes marchassem rumo à residência do premiê, que é membro da família real.

 

Testemunhas disseram que pelo menos cinco manifestantes foram feridos e levados para hospitais da capital. Alguns ativistas disseram que continuarão acampados diante do Parlamento até que o primeiro-ministro seja demitido ou renuncie.

 

Gritando palavras de ordem contra o primeiro-ministro kuwaitiano, os manifestantes tentaram protestar diante da casa do premiê, quando a polícia bloqueou a marcha, a primeira manifestação política de grande importância no Kuwait desde dezembro, quando as forças de elite espancaram manifestantes e deputados durante um comício.

 

A tensão no Kuwait, país do Golfo Pérsico rico em petróleo, aumentou muito nos últimos três meses, após denúncias de que 16 deputados do Parlamento - composto por 50 membros - havia recebido cerca de US$ 350 milhões em subornos.

 

Corrupção

 

A oposição vem conduzindo uma campanha para derrubar o primeiro-ministro, acusam de não conseguir comandar o país e combater a corrupção, que teria se tornado generalizada entre membros do governo.

 

Antes do confronto entre a polícia e os manifestantes, cerca de 20 deputados da oposição boicotaram uma sessão parlamentar. Na terça-feira, o governo rejeitou um pedido feito pela oposição para interrogar o primeiro-ministro sobre os casos de corrupção.

 

Após a rejeição, três deputados opositores entraram com um novo pedido para interrogar o premiê sobre os escândalos envolvendo deputados e eventuais transferências de dinheiro para o exterior.

 

O premiê Al-Sabah, de 71 anos, tem sido alvo de críticas constantes da oposição desde que foi nomeado para o cargo, em fevereiro de 2006. Durante esse período, ele foi forçado a renunciar seis vezes - e sempre reconduzido ao posto pelo emir Sabah al-Ahmed al-Sabah. Nos últimos cinco anos, o Parlamento foi dissolvido três vezes. 

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