/ DIMITAR DILKOFF/AFP PHOTO
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Multidão joga pedras e vaia premiê sérvio em cerimônia de 20 anos de Srebrenica

O Ministério das Relações Exteriores da Sérvia condenou a agressão; foi o primeiro incidente violento desde 2003, quando começaram as homenagens oficiais às vítimas do massacre

O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 18h59

POTOCARI, BÓSNIA - Uma multidão atirando garrafas e pedras perseguiu o primeiro-ministro da Sérvia, Aleksandar Vucic, em um cerimônia na Bósnia neste sábado, 11, para marcar o 20º aniversário do massacre de Srebrenica, destacando o grau de rancor com a contínua negação de Belgrado de que houve um genocídio.

Guarda-costas escoltaram Vucic em meio aos parentes das vítimas enfurecidos que gritavam e vaiavam, enquanto uma multidão subiu a colina atrás da delegação, que corria para seus carros. A cena marcou uma cerimônia para lembrar o dia em que Srebrenica, designada como um refúgio seguro pelas forças de paz das Nações Unidas, foi invadida pelas as forças bósnias da Sérvia nos meses finais da guerra que durou de 1992 a 1995.

O antigo enclave de Srebrenica, uma região protegida na época da guerra por boinas azuis holandeses da ONU, foi ocupado em 11 de julho de 1995 pelas tropas sob o comando do general servo-bósnio Ratko Mladic. Dois dias depois, começaram as execuções. Cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram executados ao longo dos cinco dias seguintes, com seus corpos jogados em covas. Eles foram desenterrados meses mais tarde e espalhados em túmulos menores em um esforço para ocultar o crime. Mais de mil ainda não foram encontrados.

Os restos de 136 vítimas identificadas recentemente foram enterrados neste sábado. Uma pessoa foi detida pelas agressões a Vucic, segundo a imprensa local. Esse foi o primeiro incidente violento desde 2003, quando começaram as homenagens oficiais às vítimas do massacre. Após o incidente, o clérigo muçulmano Hussein Kavazovic pediu ao público "dignidade" e que voltasse sua atenção aos caixões das vítimas enterradas hoje.

O Ministério das Relações Exteriores da Sérvia, por sua vez, condenou a agressão sofrida pelo premiê. "É outra consequência negativa da politização deste tema, que levou a novas divisões e ao ódio em vez da reconciliação. Não foi um ataque só a Vucic, mas a toda a Sérvia e a sua política de paz e cooperação regional", denunciou a pasta em nota.

O Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia condenou três dirigentes militares servo-bósnios a prisão perpétua por sua responsabilidade no genocídio. Os líderes político e militar durante a guerra, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, respectivamente, estão sendo processados.

A Sérvia, que apoiou as forças bósnias com homens e dinheiro durante a guerra, conseguiu na semana passada que sua aliada Rússia vetasse uma resolução da ONU, que tinha apoio britânico, que teria condenado a negação de Srebrenica como genocídio. / REUTERS e EFE

Vídeo: Jovem bósnio relembra encontro com Mladic


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