Multidão na rua. Oposição quer desobediência civil na Geórgia

A maior manifestação da Geórgia, em 10 anos, terminou pacificamente hoje. Mas a oposição ao presidente Eduard Shevardnadze pede "desobediência civil total", aumentando a pressão por sua renúncia. Cerca de 20.000 pessoas cercaram o prédio em que funciona o gabinete do presidente para exigir sua renúncia. Os manifestantes formaram uma corrente humana em torno do edifício, apesar do policiamento numeroso. Os manifestantes atenderam o pedido da oposição de levar às ruas a disputa em torno dos resultados das eleições parlamentares de 2 de novembro, ignorando um apelo emotivo feito mais cedo pelo presidente. Shevardnadze disse que o país pode estar às portas de uma guerra civil. Um proeminente político de sua base de apoio disse que a demonstração teve uma ?inquietante semelhança? com as do outono de 1991, quando as tensões culminaram em violência que deixou 70 pessoas mortas e redundou num golpe contra o predecessor de Shevardnadze.Mikhail Saakashvili, a mais visível figura da oposição que conduziu o protesto de hoje, pediu aos participantes que evitassem provocações mas acabou conclamando à desobediência civil. ?Esse homem roubou tudo de nós e ele não está prestando atenção em seu próprio povo. Nunca na Geórgia o povo esteve tão mobilizado contra o governo? disse Saakashvili. ?Peço ao Exército que não obedeça às ordens ilegais de seu desleal comandante em chefe. Apelo aos funcionários públicos que entrem em greve, e à polícia que não vá trabalhar.? Observadores internacionais, governos ocidentais e empresas de petróleo assistem à crise política com apreensão, esperando que o retorno da estabilidade possa permitir que se continue a construção de um oleoduto que vai ligar o Azerbaijão ao Mediterrâneo, atravessando a Geórgia. A crise foi desencadeada pelas eleições parlamentares de 2 de novembro. A oposição disse que o governo fraudou os resultados, roubando sua vitória. Negociações abertas no domingo foram suspensas na quarta-feira, quando Saakashvili abandonou a mesa. Schevardnaze, de 75 anos, tem pedido ajuda de vizinhos na região do Cáucaso e da Rússia para enfrentar os protestos. Nesta terça-feira, visivelmente emocionado, o presidente da Geórgia, Eduard Shevarnadze, evocou o espectro da guerra civil para tentar impedir que a oposição conseguisse realizar o megacomício na capital. Em pronunciamento pela TV, Shevarnadze pediu que o povo não comparecesse a manifestação. ?Queridos cidadãos de Tbilisi, queridos cidadãos da Geórgia? conclamou. ?Disseram-me que milhares de pessoas vão chegar das regiões. Não há nada para ser visto. Pode ser o começo de coisas ruins que virão. Portanto peço que cuidem de suas vidas, que voltem para casa, que continuem estudando. Apelo ainda para que todos mantenham a calma e ajam pacificamente pelo bem de sua pátria mãe, de nossa pátria mãe. Do confronto civil para a guerra civil é um passo pequeno.?

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