Multidão protesta em silêncio contra Putin em Moscou

Cerca de 10 mil pessoas saíram às ruas da capital russa sem gritar palavras de ordem e sem cartazes para evitar a repressão policial

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2012 | 03h02

Romancistas famosos e poetas russos lideraram ontem um protesto de rua em Moscou que contou com a presença de cerca de 10 mil pessoas. Os manifestantes, que não possuíam a permissão para esse tipo de evento, reuniram-se em frente à estátua do poeta Alexander Pushkin e iniciaram uma caminhada pacífica. Algumas pessoas carregavam faixas brancas com os dizeres "Rússia sem Putin". A polícia não interveio.

As pessoas contornaram a lei ao ficar em silêncio e não carregar cartazes, embora a manifestação tivesse sido claramente organizada como um protesto contra o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Sem gritar palavras de ordem, a multidão aplaudia e apoiava o comportamento amigável de alguns policiais, que protegiam os manifestantes e indicavam obstáculos e degraus no caminho.

Lyudmila Ulitskaya, autora de best-sellers de fama internacional, elogiou as autoridades de Moscou. "Hoje é um dia importante para a cidade", disse. "O governo de Moscou está sendo razoável pela primeira vez. Ele percebeu que os protestos não estão sendo feitos por pessoas que quebram vitrines e lançam coquetéis molotov."

"Estamos aqui porque queremos justiça no país. Queremos uma honesta transição de poder, não uma sucessão ao trono", disse uma das participantes. "Na Rússia, há uma lei que protege as manifestações", declarou à multidão Gennady Gudkov, parlamentar do partido de oposição Rússia Justa. "Ela foi esquecida e agora é revivida."

A manifestação foi o mais recente de vários protestos espontâneos que ocorreram em Moscou desde a posse de Putin, na quarta-feira. As passeatas são realizadas por pessoas insatisfeitas com o fato de Putin comandar o país pela terceira vez - de 2000 a 2008 e, agora, por mais um mandato. Na véspera da posse, manifestantes carregaram um caixão com a palavra "democracia" pelas ruas de Vladivostok. Mais de 400 pessoas foram presas pela polícia, acusadas de desobediência.

Até agora, Putin tem ignorado as manifestações, exceção feita à reação dura que teve em dezembro, quando foi acusado de fraudar as eleições parlamentares. Na ocasião, houve boatos de que seu porta-voz, Dmitri Peskov, não reagiu bem e teria afirmado que a polícia agiu de forma "branda" durante uma manifestação que deveria ter sido reprimida e dispersada. / AP e REUTERS

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