Multidão se reúne para homenagem em Londres

Britânicos, estrangeiros e associações muçulmanas passaram por Trafalgar Square para lembrar das vítimas do ataque de Westminster

Andrei Netto, Enviado Especial / Londres, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 21h12

A baixa temperatura não impediu que uma multidão se reunisse nesta quinta-feira em Trafalgar Square, no centro de Londres, para homenagear as vítimas do atentado de Westminster, na quarta-feira. Britânicos e estrangeiros tiveram a companhia de militantes de associações e ONGs muçulmanas, que tentavam mostrar que atentados cometidos em nome do Islã não têm nada a ver com a religião.

A cerimônia contou com um forte esquema de segurança pelo temor de novos ataques. Ruas adjacentes foram fechadas ao tráfego de veículos e helicópteros fizeram o patrulhamento aéreo permanente. Na maior parte do tempo, a manifestação foi silenciosa, com pessoas comuns portando velas. 

O silêncio respeitoso só foi quebrado pelos discursos políticos de algumas poucas autoridades, entre as quais o prefeito de Londres, Sadiq Khan – o primeiro administrador de confissão muçulmana da história da capital.

“Nós estamos aqui esta noite para nos lembrarmos das pessoas que perderam a vida. Os londrinos não serão jamais intimidados pelo terrorismo”, afirmou. “Londres é uma cidade linda e cheia de pessoas incríveis com trajetórias diferentes. Nós nos levantamos para proteger nossos valores.”

União. Em meio à multidão, foi possível encontrar britânicos, muitos descendentes de estrangeiros, de diferentes perfis e classes sociais. Fionna, aposentada, mostrou-se emocionada. “Eu sou londrina e não concordo com a violência ou com o terrorismo”, disse, elogiando a presença de grupos muçulmanos na manifestação. “É maravilhoso que tenham vindo. Creio que associar a religião ao terrorismo não é certo. Não muito tempo atrás vivíamos o terrorismo do IRA, e hoje vivemos em paz. Espero que reencontremos a paz no futuro. Só não sei quando será possível.”

Os grupos religiosos em Trafalgar levavam faixas com dizeres como “Amor para todos, ódio para ninguém”, enquanto alguns integrantes vestiam camisetas com frases convidando ao diálogo inter-religioso.

“Nós todos nascemos no Reino Unido e estamos aqui para nos levantar em defesa dos britânicos”, afirmou o imã Mudabbir Din. “Um ataque como o que ocorreu é muito doloroso, primeiro porque sou londrino, e segundo porque essas pessoas dão uma nova oportunidade para se associarem ao Islã, quando eles não representam o Islã.” 

Cameron Abbas, de 35 anos, motorista de vans escolares, também muçulmano, mas sem relação com organizações ou associações religiosas, fez questão de reforçar a diferença entre um terrorista e um religioso. “Não creio que esse homem tenha feito o que fez em nome do Islã, ainda que tenha tentado”, argumentou.

“Todas as maiores religiões, como o cristianismo, o judaísmo, o islamismo, vieram aqui para pregar amor, paz, unidade, e não para pregar a violência. Nada do que terroristas fazem tem a ver com religião, cultura, sexo, nada. É apenas um ato individual, sem relação com nenhuma religião.”

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