Mundo árabe se opõe à guerra e defende inspetores de armas ao Iraque

Aliados norte-americanos no mundo árabe temem que um ataque dos Estados Unidos contra o Iraque jogue a já instável região no caos e exortam Bagdá a tomar medidas para evitar uma guerra mesmo com a intensificação da retórica bélica de Washington. Muitos árabes acusam os Estados Unidos de se alinharem injustamente com Israel. Eles certamente veriam um ataque contra o Iraque como mais uma evidência do preconceito norte-americano contra os árabes. A Arábia Saudita, que durante a Guerra do Golfo recebeu tropas dos EUA para protegê-la contra o Iraque, também reiterou hoje a oposição a uma ação militar contra Bagdá. O assessor de política externa saudita Adel al-Jubeir afirmou à rede de TV norte-americana CNN que a Arábia Saudita defende que deve haver negociações diplomáticas com o presidente iraquiano, Saddam Hussein. "Não acreditamos que foi construído um caso em termos de uma guerra contra o Iraque, e achamos que pessoas não refletiram sobre todas as conseqüências", disse al-Jubeir. Choque Hoje na sede da Liga Árabe no Cairo, disseram diplomatas, delegados permanentes entraram em choque sobre o pedido iraquiano para que fosse incluída uma mensagem árabe de apoio ao Iraque na agenda do encontro de ministros regionais do Exterior marcado para a próxima semana. Muitos governos árabes queriam incluir no texto uma exortação ao Iraque para aceitar o retorno de inspetores de armas da ONU, enquanto Bagdá buscava apenas uma firme declaração árabe de solidariedade, segundo os diplomatas. No fim, eles aceitaram uma fórmula proposta pelo embaixador palestino na liga, Mohammed Sobeih, de que haja uma discussão sobre ameaças contra "alguns países árabes, especialmente o Iraque". Jordânia, Catar, Líbano, Omã, Iêmen, Emirados Árabes Unidos e Irã O rei Abdullah II, da Jordânia, outro aliado próximo dos EUA na região, disse que rejeita as ameaças norte-americanas contra o Iraque. Mas acrescentou: "A decisão no fim está com a liderança iraquiana, ela carrega a responsabilidade ante seu povo, a nação (árabe) e o mundo". O ministro do Exterior do Catar, xeque Hamad, afirmou a repórteres durante uma visita na segunda-feira a Bagdá que se opõe a qualquer ação militar, mas queria que o Iraque aceitasse o retorno de inspetores de armas da ONU. Os governos do Líbano, Omã, Iêmen e os Emirados Árabes Unidos, juntos com o não árabe Irã, têm repetidamente expressado oposição a um ataque dos EUA contra o Iraque, dizendo que os dois países devem resolver suas disputas por meios diplomáticos. Eles também pediram a Bagdá para implementar resoluções da ONU relativas a inspetores de armas. Inglaterra Por outro lado, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, tido como o principal aliado dos EUA na questão do Iraque tem falado com insistência sobre o que considera uma ameaça representada por Saddam. No entanto, Blair enfrenta uma forte resistência popular e do Partido Trabalhista com relação ao uso de força contra Bagdá. A Europa em geral se opõe a uma guerra. Autoridades russas, por exemplo, são contrárias ao uso de força e favoráveis ao retorno dos inspetores de armas da ONU ao Iraque. Mas a Itália aparentemente se abriu para qualquer ação militar dos EUA em território iraquiano - em linha com esforço de se mostrar como um aliado próximo de Washington na guerra contra o terrorismo. O ministro da Defesa italiano, Antonio Martino, foi citado dizendo que a Itália deveria permitir o uso de seu espaço aéreo em caso de um ataque, embora o envio de tropas seria apenas permitido caso houvesse provas de que Saddam estivesse produzindo armas nucleares. Israel Israel até agora é o aliado mais determinado a apoiar uma ação americana contra Bagdá. Saddam lançou mísseis contra Israel durante a Guerra do Golfo e deverá envolver o Estado judeu em qualquer nova guerra com os Estados Unidos para atrair os Estados árabes para o seu lado. "O governo israelense apoia os EUA nesta guerra permanecerá ao lado dos EUA em sua guerra contra o terror", disse Raanan Gissin, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon. China Em Pequim, o chanceler chinês, Tang Jianxuan, disse hoje ao colega iraquiano, Naji Sabri, que a China se opõe ao uso de força contra o Iraque, mas acrescentou que Bagdá deveria cooperar com a ONU e permitir o retorno ao país dos inspetores de armas, informou a agência de notícias Xinhua. Em um comentário dirigido aos Estados Unidos, Tang disse a Sabri, que está em visita oficial à China, que o uso de força, ou a simples ameaça de usá-la, não ajudaria na questão do Iraque e poderia causar apenas mais tensão e instabilidade na região.

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