Mundo bate recorde com gastos militares

Os gastos militares globais voltaram a crescer no ano passado, com apenas os Estados Unidos sendo responsáveis por 48% do total, afirmou nesta segunda-feira um instituto sueco.O mundo gastou um total de US$ 1,12 trilhão em atividades militares durante 2005, um aumento de 3,4% em relação a 2004, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (IIPP).A cifra corresponde a 2,5% do produto interno bruto global - uma redução em relação aos 2,6% do ano anterior.Os gastos dos Estados Unidos registraram um aumento de 1% em comparação a 2004.O IIPP, estabelecido há 40 anos e financiado em larga escala pelo governo sueco, é o mais respeitado grupo na fiscalização de gastos militares e do comércio de armas.Os "fatos no relatório nos falam de uma infeliz verdade de que a grande massa de dinheiro gasto... não é em missões de paz", frisou o diretor da organização, Alyson J.K. Baites.Gastos no Oriente MédioO instituto atribui o crescimento global do ano passado em parte ao aumento do preço do petróleo e de outros minerais, que engordaram o caixa de governos e "liberou fundos para gastos militares" em países como Arábia Saudita, Argélia e Rússia."Com o aumento de recursos advindos da venda de petróleo, gás e metais, esses países desviaram esses fundos para gastos militares, particularmente para compra de armas", afirmou o pesquisador do instituto Petter Stalenheim. "É por isto que o Oriente Médio, junto com a América do Norte, foi a região com o maior aumento em gastos militares".Foi mantida a tendência de mudança da natureza dos grandes conflitos armados - de guerras entre nações para confrontos entre grupos não-estatais, como grupos terroristas e insurgentes, segundo o relatório. "Lidar com a atividade de atores não-estatais está no centro dos desafios que a comunidade internacional enfrenta na resposta a conflitos", acrescentou.IraqueNo capítulo reservado ao Iraque, a relatório considera que "o persistente embate envolvendo a natureza da representação política, combinado com níveis extremos de violência... continuam a obstruir qualquer avanço real em direção à paz"."O que mais se destaca em relação ao Iraque é nossa incapacidade em entender a motivação e a composição da insurgência, nos impedindo assim de identificar pontos para uma abertura de diálogo", disse a analista Caroline Holmqvist.A força de ocupação liderada pelos EUA no Iraque foi colocada no ano passado diante de uma situação paradoxal - sua presença no país continua a ser um incentivo para uma "insurgência muito fluida e descentralizada", enquanto sua retirada em meio a condições de alta insegurança seria considerada uma abdicação de responsabilidade, estimou o relatório.Analisando os esforços visando a não proliferação de armas nucleares, o IIPP advertiu que "apesar de o Irã ter sido o foco quase exclusivo das conversações sobre armas nucleares, a preocupação não deveria ser... apenas com Estados transitórios ou autoritários, mas também com democracias consolidadas". Ainda existem muitas incertezas sobre os estoques mundiais de armas nucleares e materiais físseis próprios para o uso em armamentos, explicou.

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