Julio Cortez/AP
Julio Cortez/AP

Mundo reage em choque à invasão do Capitólio nos Estados Unidos

Líderes de Estados e de organizações internacionais condenaram atos violentos

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2021 | 00h25

A invasão do Congresso dos Estados Unidos em Washington por apoiadores do presidente Donald Trump nesta quarta-feira, 6, proporcionou "cenas chocantes", alertou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, uma manifestação compartilhada por vários líderes mundiais.

"Cenas chocantes em Washington. O resultado dessa eleição democrática deve ser respeitado", escreveu no Twitter o chefe da aliança militar atlântica.

A chegada dos partidários furiosos de Trump forçou a interrupção da sessão destinada a certificar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro.

Em um vídeo, o presidente da França Emmanuel Macron declarou: “Não cederemos à violência de alguns que querem questionar” a democracia.

“Quando, em uma das mais antigas democracias do mundo, partidários de um presidente cessante questionam, pela força das armas, os resultados legítimos de uma eleição, é a ideia universal 'de um homem, um voto' que está caindo por terra", acrescentou. Para Macron, "o que aconteceu hoje em Washington não é americano".

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, também condenou o que chamou de "um ataque grave contra a democracia". "A violência contra as instituições americanas é um ataque grave contra a democracia. Eu a condeno. A vontade e o voto do povo americano devem ser respeitados", tuitou.

Ao contrário do que se viu pelo mundo, o presidente Jair Bolsonaro, um aliado de Trump, evitou criticar a violência ocorrida no Capitólio e se mostrou compreensivo com os distúrbios devido às acusações de fraude eleitoral nos Estados Unidos.

Houve "muitas denúncias de fraude" nas eleições, disse Bolsonaro. As denúncias não foram comprovadas.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela expressou "preocupação" com o que chamou de "atos de violência" em Washington.

“Os Estados Unidos sofrem do mesmo que criaram em outros países com suas políticas agressivas. A Venezuela condena a polarização política e espera que o povo americano abra um novo caminho para a estabilidade e a justiça social”, continuou. 

Por sua vez, o líder da oposição Juan Guaidó afirmou no Twitter que o “ataque ao Capitólio é o ataque à democracia”.

O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, por sua vez, lamentou as "cenas profundamente perturbadoras no Capitólio".

"Os votos dos cidadãos devem ser respeitados. Confiamos que os Estados Unidos garantirão a proteção das regras da democracia", disse o líder do legislativo europeu em um tuíte.

O Alto Representante (chefe da diplomacia) da UE, Josep Borrell, também denunciou um ataque sem precedentes à democracia nos Estados Unidos e pediu respeito ao resultado das eleições de novembro.

"Democracia sob assédio"

"Aos olhos do mundo, a democracia americana parece estar sob assédio. É um ataque sem precedentes à democracia dos Estados Unidos, suas instituições e o império da lei. Isto não são os Estados Unidos. Os resultados das eleições de 3 de novembro devem ser plenamente respeitados", afirmou Borrell no Twitter.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que "uma transição pacífica é central", insistindo no fato de que "Joe Biden venceu as eleições".

“Ver as imagens em Washington foi um choque. Estamos confiantes de que os Estados Unidos garantirão uma transferência pacífica do poder para Joe Biden”, disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, no Twitter.

O chefe do governo italiano, Giuseppe Conte, tuitou que "a violência é incompatível com o exercício dos direitos e as liberdades democráticas. Confio na força e solidez das instituições dos Estados Unidos".

O seu ministro das Relações Exteriores, Luigi di Maio, escreveu na mesma rede social: "O que está acontecendo em Washington é muito grave. É uma verdadeira vergonha para a democracia e um atentado às liberdades do povo americano".

Enquanto isso, o comissário da União Europeia para a Economia, Paolo Gentiloni, postou no Twitter uma foto dos apoiadores de Trump nos corredores do Capitólio e comentou: "Vergonha". Em outra mensagem, ele observou que se tratam de "imagens que não gostaríamos de ter visto".

Antigo aliado de Trump, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, denunciou o que chamou de "cenas vergonhosas" de Washington e pediu uma "transição pacífica" de poder com o democrata Joe Biden.

"Cenas vergonhosas no Congresso americano. Os Estados Unidos são os defensores da democracia em todo o mundo e agora é vital que a transferência do poder seja feita de forma pacífica e ordeira", afirmou Johnson no Twitter."Os Estados Unidos têm, e com razão, muito orgulho de sua democracia e nada pode justificar essas tentativas violentas de inviabilizar a transição legal de poder", criticou o chanceler britânico, Dominic Raab.

"Cenas chocantes"

"Cenas chocantes e profundamente tristes em Washington D.C. que devem ser chamadas do que são: uma agressão deliberada à democracia por um presidente que está deixando o cargo e seus apoiadores, que estão tentando reverter uma eleição livre e legítima", condenou seu homólogo irlandês, Simon Coveney.

"O mundo está de olho em vocês", acrescentou, pedindo uma "volta à calma".

O primeiro-ministro irlandês, Michael Martin, lembrou o "vínculo profundo" de seu país com os Estados Unidos, declarando que estava acompanhando os acontecimentos em Washington com "grande preocupação e consternação".

Mais cedo, o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, exortou os seguidores do presidente Trump, a "deixarem de pisotear a democracia" depois que eles invadiram o Congresso americano, em Washington.

"Trump e seus seguidores deveriam finalmente aceitar a decisão dos eleitores americanos e deixar de pisotear a democracia", tuitou, acrescentando que "as palavras incendiárias viram ações violentas".

O ministro das Finanças e vice-ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Olaf Scholz, condenou as "imagens perturbadoras" de Washington e denunciou "um ataque insuportável à democracia".

"O que se está vendo neste momento em Washington é um ataque totalmente inaceitável contra a democracia nos Estados Unidos. O presidente Trump tem a responsabilidade de detê-lo. Imagens assustadoras, incrível que seja nos Estados Unidos", reagiu por sua vez a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou em comunicado "o atentado contra as instituições nos Estados Unidos" e pediu a volta "necessária à racionalidade e a conclusão do processo eleitoral conforme a Constituição".

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, tuitou que acompanha "com preocupação" as notícias vindas do Capitólio. "Estou confiante na força da democracia da América", diz ele. “A nova presidência de Joe Biden vai superar o estágio de tensão, unindo o povo americano”.

No Canadá, o primeiro-ministro Justin Trudeau postou no Twitter que as cenas no Capitólio foram um "ataque à democracia".

"Os canadenses estão profundamente preocupados e tristes com o ataque à democracia nos Estados Unidos, nosso aliado mais próximo e vizinho", disse ele.

Alberto Fernández, presidente da Argentina, também condenou o que aconteceu no Capitólio. "Confiamos que haverá uma transição pacífica que respeite a vontade popular e expressamos nosso mais forte apoio ao presidente eleito Joe Biden", disse parte da mensagem divulgada por ele no Twitter.

O presidente do Equador Lenín Moreno, rejeitou os "atos de violência" vistos em Washington. "O estado de direito tradicional dos EUA, o quadro institucional e as garantias do devido processo devem ser respeitados. Em uma democracia, o reconhecimento da vontade dos cidadãos é imperativo”, disse no Twitter.

Pela mesma rede social, o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, falou que espera uma  "transferência pacífica" para o governo do presidente eleito Joe Biden. "Condenamos esses atos de violência e esperamos uma transferência pacífica do governo para o governo recém-eleito na grande tradição democrática americana", escreveu.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, tuitou: "Democracia: o direito do povo de votar, ter sua voz ouvida e depois ter essa decisão sustentada pacificamente nunca deve ser anulado por uma multidão."

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, classificou os acontecimentos em Washington de "horríveis" e pediu a Donald Trump que "reconheça Joe Biden como o futuro presidente hoje"./AFP

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