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Por guerra contra a Ucrânia, Rússia sofre sanções econômicas, tecnológicas, esportivas e até no mundo das artes e entretenimento. Dado Ruvic/Illustration/Dado Ruvic/Illustration/Warner Bros

Por guerra contra a Ucrânia, Rússia sofre sanções econômicas, tecnológicas, esportivas e até no mundo das artes e entretenimento. Dado Ruvic/Illustration/Dado Ruvic/Illustration/Warner Bros

Mundo isola Rússia no esporte, artes e tecnologia devido à guerra contra a Ucrânia

Sanções econômicas impostas pelos líderes mundiais aos russos vêm sendo acompanhadas de ações em outras áreas da sociedade

Redação , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Por guerra contra a Ucrânia, Rússia sofre sanções econômicas, tecnológicas, esportivas e até no mundo das artes e entretenimento. Dado Ruvic/Illustration/Dado Ruvic/Illustration/Warner Bros

Governos, instituições e empresas reagiram à ofensiva militar da Rússia ao invadir a Ucrânia com boicotes, punições e bloqueios nos âmbitos econômico, esportivo, tecnológico e artístico. As sanções impostas pelos líderes mundiais vêm sendo acompanhadas de ações em outras áreas da sociedade com a intenção de isolar o país de Vladimir Putin. As portas estão sendo fechadas para entidades e associações russas, assim como para atletas e artistas individualizados.

NO ESPORTE

No campo esportivo, a Rússia tem visto suas seleções, equipes e atletas sofrendo com sanções de entidades como o Comitê Olímpico Internacional e a Fifa. Além disso, o país começa a perder eventos da Fórmula 1, futebol, vôlei e esportes olímpicos.

NA ARTE

A indústria do entretenimento também aderiu ao movimento. Os principais estúdios de Hollywood retiraram os próximos lançamentos de filmes dos cinemas russos, como Batman. "Enquanto testemunhamos a tragédia em curso na Ucrânia, decidimos pausar o lançamento nos cinemas de nossos próximos filmes na Rússia", disse um porta-voz da Paramount Pictures à imprensa americana. O ator britânico Benedict Cumberbatch, estrela do indicado Ataque dos Cães, aproveitou a ocasião de receber sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood na segunda-feira para pedir ações impedindo o avanço de Moscou.

NA TECNOLOGIA

No mundo da tecnologia, a gigante Apple interrompeu negócios na Rússia. A decisão inclui a proibição de venda de novos iPhone, iPad, MacBook e outros produtos da companhia. Além disso, vendas nas lojas de aplicativos da Rússia foram suspensas, bem como serviços financeiros, como Apple Pay. Aplicativos dos veículos russos de imprensa RT News e Sputnik News não podem ser acessados por usuários de fora da Rússia. Ainda, o aplicativo de Mapas na Ucrânia teve todas as funções de tráfego e incidentes ao vivo suspensas, como medida de segurança aos ucranianos.

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Fifa foi uma das principais entidades esportivas a punir a Rússia pela guerra com a Ucrânia REUTERS|Dado Ruvic

Guerra na Ucrânia faz Rússia perder eventos da Fórmula 1, futebol, vôlei e esportes olímpicos

Algumas sanções também se estendem a Belarus; atletas podem ser excluídos de diversas modalidades

Marcos Antomil , especial para o Estadão

Atualizado

Fifa foi uma das principais entidades esportivas a punir a Rússia pela guerra com a Ucrânia REUTERS|Dado Ruvic

Desde o momento em que iniciou a invasão à Ucrânia, a Rússia começou a receber sanções no meio esportivo, principalmente com a perda de eventos que teriam como sede o país do leste europeu. As medidas causam problemas significativos à economia e principalmente para atletas russos, que novamente se vêm prejudicados por atitudes do governo.

No automobilismo, o Grande Prêmio de Fórmula 1, que seria realizado em Sochi no fim de semana do dia 25 de setembro, foi retirado do calendário após pressão de equipes e pilotos, que se recusaram a viajar ao país. A Rússia se preparava para transferir a corrida da cidade-sede dos Jogos de Inverno de 2014 para São Petersburgo em 2023, porém o conflito com os ucranianos deixa dúvidas sobre a sequência da categoria no país.

Um dia após a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciar que pilotos da Rússia e de Belarus não poderão disputar corridas usando identificação de seus países, a Motorsport UK, órgão que comanda o automobilismo no Reino Unido, foi além e proibiu pilotos desses países a correrem na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Desta maneira, o russo Nikita Mazepin, da Haas, não disputará o GP da Inglaterra de Fórmula 1.

No futebol, as sanções vieram repartidas. A primeira delas foi a retirada da final da Liga dos Campeões da Europa 2021/2022 de São Petersburgo. O evento agora será realizado em Paris. Em seguida, vieram punições sobre as seleções e clubes russos. A Fifa proibiu a seleção russa de competir sob sua bandeira, executar o hino e excluiu o país das Eliminatórias para a Copa do Mundo. A decisão foi seguida pela Uefa, que excluiu o Spartak Moscou da Liga Europa e retirou a seleção feminina da Eurocopa.

O Comitê Olímpico Internacional recomendou às suas federações esportivas que excluam atletas russos das competições e orientou a desconvocação daqueles que já haviam sido convidados. A medida também será aplicada a esportistas de Belarus. A entidade também retirou condecoração da Ordem Olímpica dada ao presidente russo Vladimir Putin.

A Federação Internacional de Judô fez o mesmo e suspendeu honraria entregue ao líder russo. Vladimir Putin, que é faixa preta e graduado no 8º dan na modalidade, havia sido intitulado Presidente Honorário e Embaixador. Em outubro, a Rússia seria palco de uma das etapas da Premier League de caratê, mas o evento foi retirado do país e deverá ganhar nova sede.

A Rússia também não poderá mais organizar o Campeonato Mundial masculino de vôlei. O evento aconteceria no país entre agosto e setembro de 2022. As seleções russas masculina e feminina não poderão competir sob sua bandeira e ainda poderão sofrer novas sanções.

Na natação, o Circuito Internacional em águas abertas retirou de seu calendário as provas que ocorreriam em território russo. A Fina (Federação Internacional de Natação) retirou de Kazan, na Rússia, torneios de saltos ornamentais, nado artístico e Mundial Júnior. Um jogo entre Rússia e Grécia também foi retirado do país.

No badminton, a situação é semelhante, mas também alcança Belarus, que também não poderá acolher competições da modalidade. O mesmo se estende à escalada, xadrez, halterofilismo e esqui. Atletas da Rússia também podem ficar fora de disputas no curling e hóquei no gelo.

A Copa do Mundo de esgrima (espada) estava sendo realizada em Sochi, mas foi paralisada antes de sua fase semifinal no último sábado. Atletas abandonaram a competição após o início da guerra com a Ucrânia.

O conselho da Federação Internacional de Atletismo (World Athletics) anunciou também que atletas, profissionais de apoio e dirigentes de Rússia e Belarus estão excluídos de todas as competições internacionais enquanto a guerra persistir. A decisão tem efeito imediato. A federação de Belarus foi suspensa, assim como a entidade russa está desde 2015 devido aos casos de doping.

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Apple boicota Rússia e interrompe negócios no país

Seguindo outras empresas, dona do iPhone não vende mais produtos no país russo e fez alterações no serviço de mapas na Ucrânia como medida de segurança

Redação Link, O Estado de S. Paulo

01 de março de 2022 | 18h16

Acompanhando o coro de empresas mundiais, a Apple iniciou nesta terça-feira, 1.º, o boicote à Rússia e interrompeu negócios com o país, em medida contra a invasão realizada pelo governo de Vladimir Putin na Ucrânia, iniciada na semana passada.

A decisão inclui a proibição de venda de novos iPhone, iPad, MacBook e outros produtos da companhia. Além disso, vendas nas lojas de aplicativos da Rússia foram suspensas, bem como serviços financeiros, como Apple Pay.

Aplicativos dos veículos russos de imprensa RT News e Sputnik News não podem ser acessados por usuários de fora da Rússia. Ainda, o aplicativo de Mapas na Ucrânia teve todas as funções de tráfego e incidentes ao vivo suspensas, como medida de segurança aos ucranianos.

Em nota pública, a dona do iPhone justificou que a medida tem como objetivo a paz e que está ao lado de “todas as pessoas que sofrem com a violência”. 

“Apoiamos os esforços humanitários, dando ajuda à crise de refugiados que se desenrola e fazendo o que podemos para apoiar nossas equipes na região”, escreveu a companhia nesta terça. “Iremos continuar avaliando a situação e estamos em contato com governos relevantes sobre as ações que estamos tomando.”

Efeito dominó

Diante do conflito, a Apple é a primeira grande empresa de tecnologia a repassar sanções impostas à Rússia em seus produtos no país. Empresas como Google, Twitter e Meta (ex-Facebook) chegaram a anunciar a remoção de conteúdos ligados às mídias estatais russas. 

Nesta terça, a gigante das buscas afirmou que estava retirando conteúdos da emissora estatal RT, além de outras mídias semelhantes, de sua ferramenta de notícias. O Facebook também anunciou que seus apps, como Instagram, também não vão veicular conteúdos provenientes das estatais russas. O bloqueio é uma forma de barrar a desinformação dos aliados de Vladimir Putin e de retaliar a invasão à Ucrânia. 

“Nesta crise extraordinária, estamos tomando medidas extraordinárias para impedir a disseminação de desinformação e interromper campanhas de desinformação online”, explicou Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, em um post no blog oficial da empresa. 

No Twitter, além do bloqueio de notícias das estatais, a empresa está colocando banners de avisos em tuítes com informações sobre a guerra. O rótulo está sendo exibido em contas e mensagens com conteúdos pró-Rússia e em tuítes que podem conter discursos de mídias estatais.

Em tom de ameaça, o Telegram não chegou a banir mídias oficiais da Rússia, mas em um discurso pouco comum do fundador do mensageiro, Pavel Durov, afirmou que pode considerar restringir parcial ou totalmente a operação de alguns canais caso a guerra na Ucrânia continue escalando de forma grave.

Conhecido por não se envolver em questões políticas de países em que o app está presente, Durov disse que os canais estão se tornando um reduto de informações não verificadas e que não quer que o app seja usado como um recurso para aprofundar conflitos.

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'Sonic 2: O filme', de Jeff Fowler Paramount Pictures

Hollywood adere ao bloqueio à Rússia pela invasão da Ucrânia

A Paramount anuncia que segue o mesmo caminho da Disney, Sony e Warner Bros.

AFP , Redação

Atualizado

'Sonic 2: O filme', de Jeff Fowler Paramount Pictures

Hollywood aderiu ao bloqueio contra Moscou por sua invasão da Ucrânia, e na terça-feira (1.º) a Paramount se tornou o mais recente de vários estúdios a retirar os próximos lançamentos de filmes dos cinemas russos.

A decisão da Paramount, que afetará imediatamente títulos como Cidade Perdida e Sonic 2: O filme, vem logo após anúncios semelhantes da Disney, Sony e Warner Bros.

A WarnerMedia, outro grande estúdio americano, suspendeu o lançamento nos cinemas russos da última versão do Batman, que estreia nos Estados Unidos nesta sexta-feira, 4.

"Enquanto testemunhamos a tragédia em curso na Ucrânia, decidimos pausar o lançamento nos cinemas de nossos próximos filmes na Rússia", disse um porta-voz da Paramount Pictures à imprensa americana.

Os outros estúdios se expressaram em termos semelhantes, condenando as ações de Moscou.

Enquanto isso, a Disney informou que está trabalhando com uma ONG para fornecer ajuda emergencial e outras formas de assistência humanitária aos refugiados.

A Sony Pictures, subsidiária do grupo japonês Sony, também suspendeu o lançamento de seus filmes na Rússia, incluindo Morbius, sua mais recente grande produção de super-heróis.

A indústria do entretenimento em geral está se posicionando contra a hostilidade da Rússia à Ucrânia.

O ator britânico Benedict Cumberbatch, estrela do indicado Ataque dos Cães, aproveitou a ocasião de receber sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood na segunda-feira para pedir ações impedindo o avanço de Moscou.

A Filarmônica de Munique da Alemanha demitiu o maestro russo e apoiador do Kremlin, Valery Gergiev, na terça-feira, depois que ele não condenou a invasão.

Os organizadores do Festival Eurovisão da Canção disseram que não permitirão que a Rússia participe da edição deste ano, e o trio punk-pop Green Day anunciou esta semana que cancelaria uma série de shows em Moscou "à luz dos atuais eventos".

 

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Estrelas russas da música clássica são pressionadas a se afastar de Putin

Apresentações estão sendo canceladas em solidariedade de instituições ocidentais à Ucrânia

David Courbet, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2022 | 09h48

Aumenta a pressão sobre os artistas russos, após a invasão da Ucrânia, para que se distanciem do presidente Vladimir Putin, sob pena de serem declarados persona non grata nos palcos ocidentais. O mundo da música clássica foi novamente abalado nesta terça-feira, 1º, pela decisão da direção da Filarmônica de Munique, na Alemanha, de demitir o maestro Valery Gergiev, próximo ao Kremlin, enquanto a soprano Anna Netrebko, em posição delicada, decidiu suspender seus concertos.

Na sexta-feira, 25, o presidente da capital da Baviera, Dieter Reiter, deu a Gergiev até segunda-feira, 28, para "se distanciar de modo claro e categórico" da invasão russa à Ucrânia. Porém, o diretor de 68 anos, um dos mais requisitados do mundo, permaneceu em silêncio enquanto os ultimatos contra ele se intensificavam. Além de dirigir a Filarmônica de Munique, desde 2015 ele conciliava seu cargo, entre outros, com o de diretor-geral do prestigiado Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, cidade natal do presidente russo.

Sua proximidade com Putin, com quem se encontra desde 1992, e sua lealdade ao líder suscitaram várias controvérsias na última década, em especial por sua participação em concertos na Ossétia do Sul, que foi bombardeada, e em 2016 em Palmira, Síria, junto com as tropas do exército do regime de Bashar al Assad. Na segunda-feira, 28, a Filarmônica de Paris e o prestigiado Festival de Lucerna, na Suíça, anunciaram o cancelamento de vários dos seus espetáculos já agendados, em "solidariedade" ao povo ucraniano.

O Festival de Verbier, também suíço, e o escocês Festival de Edimburgo, maior evento de concertos ao vivo do mundo, exigiram e aceitaram a renúncia do maestro como diretor de suas orquestras. Na sexta-feira, o Carnegie Hall, de Nova York, já havia deixado o diretor russo de fora de uma série de apresentações. No domingo, 27, seu agente artístico, o alemão Marcus Felsner, decidiu deixar de representá-lo.

Outros artistas russos também ficaram em uma posição embaraçosa.

A Ópera do Estado Bávaro anunciou nesta terça-feira que, além de cancelar seus compromissos com Gergiev, também cancelou os da soprano russa Anna Netrebko, que iria se apresentar em julho. O embaixador ucraniano na Alemanha, Andrij Melnyk, havia pedido anteriormente no Twitter que os espectadores alemães boicotassem sua apresentação na quarta-feira na Filarmônica do Elba, em Hamburgo.

Por fim, o concerto foi adiado para setembro de 2022. E nesta quarta-feira, 2, o organizador River Concerts publicou um comunicado da artista de 50 anos em que anunciou que renuncia aos "concertos até segunda ordem". Netrebko é criticada por não ter se distanciado de Putin, embora tenha se declarado "contrária a esta guerra" na Ucrânia em sua conta no Instagram.

 

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