Mundo todo ganha voz na Assembleia Geral da ONU

Eis algumas coisas que a Assembleia Geral da ONU, na semana que vem, não vai conseguir: a solução da guerra civil na Síria; o fim dos protestos dos muçulmanos contra os insultos ao islamismo; a suspensão do programa nuclear do Irã.

LOUIS CHARBONNEAU, Reuters

21 de setembro de 2012 | 21h13

Mas os problemas mais prementes e intratáveis do mundo serão dissecados por líderes e comitivas dos 193 países da Organização das Nações Unidas, que participam do "debate geral" anual na sede de Nova York entre os dias 25 de setembro e 1o de outubro.

Mais de cem chefes de Estado e de governo devem comparecer a essa que é tradicionalmente a semana mais movimentada do ano na diplomacia internacional.

No ano passado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, realizou 119 reuniões bilaterais com presidentes, primeiros-ministros e ministros de todos os continentes.

Ban disse na quarta-feira que espera ter mais de 120 reuniões desse tipo neste ano. Embora não haja um tema único no debate deste ano, ele afirmou que "a deterioração da situação na Síria estará na mente de todos nós".

Vários diplomatas ocidentais disseram que outro tema importante será a atual onda de protestos em países islâmicos por causa de um filme anti-islâmico feito nos EUA e de caricaturas francesas ironizando Maomé.

"O pano de fundo da Síria, da Primavera Árabe, os recentes distúrbios, o conflito entre liberdade de expressão e difamação de religiões -tudo isso irá sem dúvida ser um tema em todas as (reuniões) bilaterais e em todos esses eventos paralelos", disse um diplomata.

As insurgências no Mali e no leste da República Democrática do Congo, a mudança climática e os problemas financeiros globais também devem ser discutidos durante a Assembleia Geral.

As soluções, no entanto, terão de esperar.

É que a Assembleia praticamente não tem nenhum poder real, ao contrário do Conselho de Segurança, que reúne 15 países e pode impor sanções e autorizar intervenções militares. O foco da Assembleia, da qual participam todos os países da ONU, é promover o debate público e emitir resoluções que, por não serem de cumprimento obrigatório, são frequentemente ignoradas.

Como é tradição há mais de meio século, o Brasil, pela segunda vez seguida representado pela presidente Dilma Rousseff, abrirá o evento, na terça-feira. O segundo orador será o presidente dos EUA, Barack Obama.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, discursam quase um atrás do outro, na quinta-feira. Há um ano, Abbas foi o grande destaque da Assembleia, ao anunciar a intenção de solicitar adesão plena da Autoridade Palestina à ONU - ideia que foi vetada pelos EUA. Agora, ele deve reiterar um plano mais modesto para ampliar o grau de participação palestina na entidade.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que frequentemente causa polêmica nos seus discursos na ONU, irá discursar na quarta-feira, que por coincidência é o feriado judaico do Yom Kippur. Na segunda-feira, ele também participa de uma reunião sobre "Estado de direito".

(Reportagem adicional de Michelle Nichols)

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