The New York Times/O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2014 | 02h07

Quase três anos depois do início da violência, muitas das mais sinistras previsões sobre a guerra civil na Síria tornaram-se realidade. O conflito não apenas tomou conta do país, provocando a morte de 130 mil pessoas e obrigando mais de 9 milhões de civis a abandonar seus lares. Também se espalhou pela região, desestabilizou países vizinhos e tornou-se uma espécie de ímã para militantes ou aspirantes a militantes, incluindo alguns dos EUA.

A guerra ficou complicada, com o agravamento da implacável rivalidade entre Arábia Saudita, Estado de maioria sunita e maior patrocinador dos rebeldes sunitas que lutam para depor Bashar Assad, e o Irã xiita, o grande apoio do presidente sírio. Um dos fatos mais alarmantes é a que ponto os islamistas mais bem equipados e treinados e os grupos rebeldes ligados à Al-Qaeda têm prevalecido no campo de batalha sobre as forças de oposição seculares, moderadas, voltadas para o Ocidente.

Os EUA suspenderam o fornecimento de ajuda não letal (como caminhões e rações) para os moderados em dezembro, depois que os estoques de equipamentos foram confiscados pela Frente Islâmica (a CIA mantém um programa secreto separado para armar e treinar os rebeldes). Funcionários do governo americano pensam em retomar essa assistência, mantida pelo Departamento de Estado, depois que parte dos islamistas se juntou ao Exército Sírio Livre contra os radicais.

A retomada da ajuda poderá fortalecer os moderados e encorajá-los a participar das conversações de paz. E também tranquilizará os sauditas, que desejam que os EUA intervenham com mais vigor na Síria e temem que uma cooperação dos americanos com o Irã, especialmente depois que as sanções foram atenuadas como parte do acordo nuclear provisório firmado, impulsionará a ascensão do Irã como potência regional.

Existe o perigo de a ajuda americana ter efeito contrário, como ocorreu na década de 80, quando a assistência aos combatentes mujahidin que lutavam contra o Exército soviético proporcionou um terreno fértil para os movimentos terroristas anos mais tarde. Mas pode valer a pena correr o risco.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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