'Muralha virtual' é instrumento de controle do regime

Cenário: Cláudia Trevisan

O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2012 | 03h03

Os norte-coreanos vivem em um mundo à parte, no qual a informação e a comunicação são rigorosamente controladas e a propaganda oficial entra na vida das pessoas desde a infância e as acompanha até a morte. Ninguém tem acesso à internet, com exceção de alguns poucos privilegiados.

No lugar da web, os norte-coreanos usam uma intranet, que lhes dá acesso apenas a sites do país. Nesse sistema, não é possível trocar e-mails com o exterior.

Entre as mentiras, a propaganda sustenta que a ideologia "juche" de Kim Il-sung é conhecida em todo o mundo e a agência de notícias oficial traz frequentes textos sobre congressos e discussões dedicados ao tema em outros países.

No dia 8, havia um sobre o Centro Brasileiro para Estudo da Ideia Juche, que havia divulgado uma tese sobre os 30 anos do livro Sobre a Ideia Juche de Kim Il-sung.

Nem mesmo os norte-coreanos, que consideram a "juche" uma das principais heranças de Kim Il-sung, não sabem explicar ao certo o que o termo significa. Kim Won-gyong, guia do museu instalado na casa onde nasceu o líder, traduziu a ideia como "cada um ser dono de seu próprio destino". Transferida para um país, a ideologia prega a autossuficiência.

Apesar dos controles, a muralha virtual levantada pelos ditadores norte-coreanos começa a apresentar rachaduras, com o gradual aumento da entrada de informações vindas de fora. Há cada vez mais turistas estrangeiros, enquanto o número de norte-coreanos que vai ao exterior também aumenta. DVDs são pirateados da Coreia do Sul e novelas e filmes chineses aparecem com maior frequência na televisão.

Ironicamente, a China é uma das principais fontes de informação a respeito de como é o mundo fora da Coreia do Norte. Os chineses não precisam de visto para entrar no país e estão investindo em empresas e no comércio norte-coreano.

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