Reprodução/Reuters
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Murdoch admite falhas em inquérito sobre ética na mídia

Magnata admitiu que houve esforço para acobertar escutas no 'News of the World'

BBC Brasil, BBC

26 de abril de 2012 | 17h09

LONDRES - No segundo dia de audiências perante a Justiça da Grã-Bretanha, nesta quinta-feira, 26, em um inquérito que analisa aspectos de violações éticas na mídia, o magnata das comunicações Rupert Murdoch, envolto em um escândalo de escutas ilegais, admitiu que houve esforço para acobertar as práticas ilegais no tabloide News of the World, mas insistiu que não ficou sabendo do esquema.

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O tablóide dominical britânico News of the World, o mais vendido do país, foi fechado em julho do ano passado por seu controlador, o grupo News International, de propriedade de Murdoch, devido ao envolvimento do jornal em um escândalo de escutas telefônicas ilegais.

"Eu também preciso dizer que fracassei, e peço desculpas por isso. Eu culpo uma ou duas pessoas por isso (...). Fomos vítimas de alguém que chefiou um complô para acobertar o caso e eu me arrependo disso", disse Murdoch, ao falar sobre a responsabilidade de executivos do grupo pelo escândalo.

Também durante seu depoimento o magnata de 81 anos afirmou que jamais disse a seus jornalistas para que promovessem seus canais de TV, programas ou filmes nos jornais do grupo.

Para o analista da BBC Tourin Douglas, a estratégia de Murdoch nas duas primeiras aparições oscilou entre ataques aos seus críticos e pedidos de desculpas.

"Ele retratou a si mesmo e a sua companhia como vítimas ao invés de agentes ativos quanto aos erros e escândalos. Ele disse que o complô para esconder o escândalo surgiu de dentro do News of the World, mas que ele não prestou atenção a isso", diz.

Entenda o inquérito

A série de audiências que teve início nesta semana integra o que está sendo chamado na Grã-Bretanha como o "Inquérito Leveson", aberto em novembro do ano passado, depois que o News of the World admitiu ter interceptado mensagens de telefone de pessoas famosas.

O inquérito é dividido em duas partes. A primeira investiga as relações entre a imprensa, políticos e a polícia, e a conduta de cada um, com o objetivo de analisar até que ponto o atual regime regulatório falhou e verificar se houve falhas em agir em relação a alertas prévios sobre má conduta da imprensa.

A segunda parte do inquérito vai analisar até onde foi a conduta ilegal ou imprópria por parte da News International e de outras empresas de comunicação e examinar a maneira como a polícia investigou as alegações relacionadas à News Internatonal e se a polícia recebeu suborno ou teve algum tipo de cumplicidade com a má conduta da empresa.

Também será analisado o papel que políticos e funcionários públicos tiveram nas falhas em investigar as ilegalidades na News International.

Ao final da primeira parte, serão feitas recomendações sobre um novo regime regulatório, que seja mais eficaz, apoie a integridade e a liberdade de imprensa, sua pluralidade e independência, inclusive do governo, mas ao mesmo tempo estimule altos padrões profissionais e de ética. Também serão feitas recomendações sobre como as autoridades devem lidar com preocupações futuras a respeito do comportamento da imprensa e sobre o futuro das relações entre a imprensa e políticos e a polícia.

A segunda parte vai considerar as implicações para a relação entre imprensa e polícia, autoridades e agências reguladoras e deverá trazer recomendações sobre ações necessárias.

O relatório final do inquérito deverá estar pronto em um ano e será colocado à disposição do público.

 

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