Luke Macgregor/Reuters
Luke Macgregor/Reuters

Murdoch desiste de rede de TV britânica

Após ser acusado de grampear políticos e celebridades, império comandado por magnata australiano retira proposta de compra da BSkyB

, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2011 | 00h00

LONDRES - Em meio ao escândalo das escutas ilegais, o News Corp. - império midiático do magnata Rupert Murdoch, que teria grampeado políticos e celebridades britânicas - anunciou ontem que desistiu de comprar a British Sky Broadcasting (BSkyB), uma das principais TVs por satélite do país.

O anúncio foi feito após o primeiro-ministro David Cameron manifestar no Parlamento seu apoio a uma moção da oposição trabalhista, respaldada também pelos liberal-democratas, para exigir que o magnata abandonasse a operação.

"Acreditávamos que a compra da BSkyB por parte da News Corp. beneficiaria as duas empresas, mas ficou evidente que é muito difícil seguir nesse clima", declarou em comunicado o vice-presidente do grupo, Chase Carey.

A News Corp, que possui 39% da maior plataforma de televisão por satélite britânica, havia apresentado em junho de 2010 uma oferta para adquirir as ações restantes por US$ 12,5 bilhões.

Em março, após obter um acordo de princípios do governo para a aquisição, que - segundo a oposição - ameaçava a pluralidade dos meios de comunicação na Grã-Bretanha, a autorização definitiva parecia um simples trâmite. Pelo menos até o escândalo dos grampos atrapalhar o negócio.

As novas revelações sobre as escutas ilegais feitas pelo tabloide News of the World, que faz parte do grupo, provocaram uma onda de indignação. Murdoch decidiu fechar o jornal dominical - que circulava desde 1843 e era um dos mais vendidos do país.

A medida não acalmou a opinião pública, nem reduziu a pressão, fazendo o magnata ceder. Se o negócio fosse concluído, Murdoch seria o responsável pela maior empresa de comunicações da Grã-Bretanha.

Analistas disseram que não ficaram surpresos com a decisão de Murdoch de abandonar o acordo. "Diante de tanta desaprovação política, teria sido insensato levar a proposta adiante no momento atual", disse Steve Malcolm, analista da consultoria Evolution.

Cameron disse estar "satisfeito" com o anúncio. "A News Corp. e sua filial britânica News International devem se concentrar em limpar e ordenar seus assuntos após o escândalo", afirmou um porta-voz do governo.

O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, que elaborou a moção responsável por um consenso até então incomum no Parlamento, comemorou a notícia. "Essa é uma vitória das pessoas que, em todo o país, estão horrorizadas com as revelações do escândalo das escutas e com o fato de a News Corp. não assumir a responsabilidade", disse.

O escândalo, conhecido desde 2006, agravou-se na semana passada ao ser revelado que cerca de 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre elas uma adolescente assassinada, parentes de vítimas dos atentados de 2005 em Londres e de soldados mortos em combate no Iraque e no Afeganistão.

Murdoch foi convidado a prestar esclarecimentos ao Parlamento. Por tratar-se de um convite, e Murdoch ser australiano, ele não é obrigado a ir. Mas a News Corp. disse que quer cooperar, indicando que Murdoch e o filho, James - diretor da empresa - comparecerão. / REUTERS e AP

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