Murdoch nega que tenha influenciado políticos britânicos

Magnata da mídia presta depoimento em investigação parlamentar sobre tráfico de influência na Grã-Bretanha

LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h06

O magnata australiano Rupert Murdoch, dono de um império midiático, negou ontem as acusações de que teria usado suas empresas para manipular o governo britânico. Murdoch, de 81 anos, depôs na comissão parlamentar que investiga o comportamento da imprensa da Grã-Bretanha e sua relação com os políticos do país.

O foco da investigação é a empresa News Corp., de Murdoch, proprietária do extinto tabloide News of the World, acusado de espionar centenas de pessoas, incluindo celebridades e políticos. O conglomerado, segundo maior império midiático do mundo, é dono da rede de TV Fox e dos jornais The Times - de Londres -, New York Post e Wall Street Journal.

Ontem, Murdoch foi imediatamente questionado a respeito de suas relações com os políticos e a elite britânica. "Nunca pedi nada a nenhum primeiro-ministro", afirmou. "É natural que políticos busquem editores e, às vezes, proprietários, se eles estiverem disponíveis, para explicar o que estão fazendo. Mas eu era apenas um entre muitos."

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, que enfrenta duras críticas por ter uma relação próxima com Murdoch, disse ontem que políticos de todos os partidos tinham ligação com o magnata. "Acredito que todos os lados desta Casa deveriam falar com a mão no coração", disse ele sob vaias de parlamentares da oposição. "Todos tivemos contato com Rupert Murdoch."

Alguns esperavam um Murdoch agressivo em seu depoimento, mas o empresário mostrou-se calmo e arrancou risos entre os presentes quando fez uma piada sobre o poder que tem. "Tenho uma aura de carisma? Acho que não", disse. "Mas sou uma pessoa curiosa, não sou bom em segurar a língua."

Demissão. Ainda ontem, o caso provocou mais uma baixa no governo britânico. Adam Smith, assessor especial do ministro da Cultura, Jeremy Hunt, pediu demissão e reconheceu que suas relações com o império de Murdoch foram "longe demais". / REUTERS

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