Muro estimula migração Palestina

Samih Bashir, advogado palestino, pretende mudar no início do próximo ano para uma ampla casa com duas salas, três banheiros e um grande quintal onde seus quatro filhos poderão brincar. Ela fica num bairro de Jerusalém chamado French Hill - uma área nobre da cidade que, segundo Israel, jamais fará parte de um Estado palestino.Bashir está preocupado que o atual bairro onde mora, Beit Hanina, passe para o controle palestino se as duas partes um dia chegarem a um acordo de paz.Sob alguns aspectos, essa mudança é psicológica. Não existe nenhuma diferença jurídica entre Beit Hanina e French Hill. Os dois bairros fazem parte de Jerusalém Oriental, que Israel ocupou durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e logo depois anexou unilateralmente, uma situação não reconhecida pela comunidade internacional. Mas French Hill é um bairro predominantemente de judeus e Beit Hanin é de maioria árabe."Eles falam em devolver esta área para os palestinos e então ficaremos presos aqui", disse Bashir, que possui cidadania israelense, a respeito de Beit Hanina. "Minha mulher trabalha na municipalidade de Jerusalém como assistente social. Como vai conseguir manter o emprego se este bairro se tornar palestino?"Muitos dos 2.500 palestinos que moram em Jerusalém Oriental e não são cidadãos israelenses também estão preocupados com a perda de acesso a serviços oferecidos pelos israelenses, como assistência médica e ajuda social, se as comunidades onde vivem passarem a ser parte de um Estado palestino. Um número cada vez maior deles vem se transferindo para bairros predominantemente de judeus como French Hill e Pisgat Zeev - que, para as autoridades palestinas, são assentamentos israelenses ilegais.De acordo com o agente imobiliário palestino Jamal Natshe, milhares de famílias de Jerusalém Oriental, Cisjordânia e até Jordânia mudaram-se para bairros judaicos nos últimos dois anos. A principal preocupação dessas pessoas é o muro de concreto de mais de sete metros de altura que Israel construiu para separar as áreas da cidade sob seu controle das palestinas. Fora das áreas urbanas, no geral, as barreiras erguidas são cercas, algumas de arame farpado, e as estradas, usadas pelas forças de segurança. Israel diz que a barreira é uma medida de segurança para impedir ataques; os palestinos dizem que ela equivale a um confisco unilateral de aproximadamente 8% da Cisjordânia.Os postos de controle foram instalados para facilitar o acesso dos palestinos com permissão para entrar em Israel, incluindo os 250 mil que possuem carteira de identidade israelense, que indica quem tem direito de residir em Jerusalém.Segundo Jamal Natshe, alguns palestinos estão mudando porque não querem perder os benefícios israelenses. "Se Israel comprovar que alguém está vivendo fora de Jerusalém, essa pessoa perde o cartão de identidade", disse ele. "Esta é uma ameaça para muitas famílias por causa da situação econômica. Elas dependem do sistema israelense." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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