Muro israelense em área palestina é ilegal, diz relator da ONU

Governos de todo o mundo deveriam condenar a imensa barreira de segurança que está sendo erguida por Israel como um ato ilegal de conquista, da mesma forma que criticaram a tomada de Jerusalém Oriental e das Colinas do Golan, afirmou um especialista em direitos humanos da ONU. Num relatório publicado hoje, o advogado sul-africano John Dugard disse que o "muro" avança profundamente em território palestino, isolando grandes porções de terra. Ele frisou que o objetivo principal da barreira é proteger assentamentos judaicos e não, como alega os israelenses, evitar atentados suicidas a bomba e outros ataques. Israel acusou Dugard - o especialista da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos - de ser tendencioso, e garantiu estar agindo em legítima defesa. "Mais de 210.000 palestinos serão seriamente afetados pelo muro", denunciou Dugard. "Palestinos vivendo entre o muro e a Linha Verde (o limite entre Israel e os territórios palestinos) serão efetivamente isolados de suas plantações, locais de trabalho, escolas, postos de saúde e outros serviços sociais", afirmou. "Chegou a hora de condenar o muro como sendo um ato ilegal de anexação da mesma forma que as anexações de Jerusalém Oriental e das Colinas do Golan foram condenadas como ilegais". O embaixador israelense nas Nações Unidas em Genebra, Yaakov Levy, julgou que Dugard produziu um "relatório unilateral, altamente politizado e tendencioso, emanando de um mandato fundamentalmente viciado". "O relatório desconsidera totalmente o contexto da contínua violência dirigida contra civis israelenses desde 28 de setembro de 2000, na qual 900 israelenses foram mortos", disse Levy.

Agencia Estado,

30 Setembro 2003 | 19h45

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