REUTERS/ Nestor Quinones
REUTERS/ Nestor Quinones

Muro na fronteira complica relações entre Peru e Equador

Chancelaria peruana convocou nesta segunda-feira 'para consultas' seu embaixador em Quito, em um sinal de protesto diplomático pela obra

O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 20h14

LIMA - A construção de um muro na fronteira entre Peru e Equador ameaça complicar as relações diplomáticas dos países. A chancelaria peruana convocou nesta segunda-feira, 10, "para consultas" seu embaixador em Quito, em um sinal de protesto diplomático pela obra. Lima solicitou no mês passado o fim da construção, mas o Equador ignorou a demanda.

A chancelaria peruana disse em comunicado que o retorno do embaixador peruano Hugo Otero foi decidido porque o Equador construiu um muro como parte de um Parque Linear no lado direito do Canal Internacional de Zarumilla, apesar dos pedidos formulados pelo Peru para interromper a obra.

Segundo a chancelaria peruana, a construção ocorre em descumprimento a acordos firmados pelos dois países, segundo os quais o Equador deve deixar uma faixa de 10 metros do lado direito do canal para que os dois países possam realizar sua manutenção e limpeza.

Além disso, afirmou, o muro poderia prejudicar a integração dos dois países e o fluxo de água no canal, elevando o risco de enchentes em cidades peruanas. 

De Quito, a chancelaria do Equador afirmou que "lamenta a decisão" do Peru. Além disso, reitera sua disposição de fazer uma reunião de ministros das Relações Exteriores nesta semana para tratar desse e de outros temas. Segundo os equatorianos, o Peru ainda não respondeu ao convite para a reunião.

Peru e Equador tiveram um conflito armado em 1995, que levou a um acordo de paz em 1998, depois do qual a relação bilateral mostrou-se construtiva. Segundo o governo equatoriano, o muro é parte da construção de um parque linear que terá ciclovias, áreas verdes, obras sanitárias e eletricidade. 

A área é, há anos, passagem de contrabando de combustível e outros produtos que alimentam o crime organizado no Peru. Segundo autoridades locais, cerca de 15 grupos criminosos levam diariamente combustível ao território peruano, onde o preço dele chega a triplicar. / AP e Reuters

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