Murphy diz que alternativa a ele é o caos

"Ou nós, ou o caos" foi a mensagem dada hoje pelo ministro da Economia, Ricardo López Murphy, e sua equipe. Esta manhã, o ministro reuniu-se com os principais empresários do país na Câmara de Comércio de Valores para explicar-lhes detalhes do pacote e pedir-lhes apoio. López Murphy admitiu que esta semana será "complicada" por causa da imprevisível reação dos mercados e da opinião pública e disse esperar apoio político para evitar que suas medidas sejam rejeitadas no Congresso. Caso isso não ocorra, o ministro disse que a alternativa para seu pacote de ajuste "seria o caos da suspensão de pagamentos da dívida externa". Por esse motivo, o ministro pediu que os empresários "escrevam cartas" para os parlamentares, como forma de convencê-los a apoiar as medidas. Além disso, López Murphy disse que se tratava de uma "batalha de opinião pública": "a sociedade tem que achar isto bom, porque senão o custo é de uma incalculável recessão". O ministro disse aos empresários que "não podemos nos enganar, pois não vamos ter uma segunda ajuda financeira internacional", em referência à recente blindagem financeira concedida pelo FMI e outros organismos internacionais e nacionais. Os empresários aprovaram o discurso, e aplaudiram o ministro quatro vezes em menos de 40 minutos. Enrique Crottto, presidente da Sociedade Rural, a poderosa associação que reúne os principais produtores agropecuários do país, disse que a expansão econômica virá depois, e que no momento o importante era afastar a Argentina do default. Oscar Vicente, diretor da Pérez Companc, uma das maiores holdings argentinas, apoiou López Murphy, e afirmou que "será arriscado se este pacote não puder avançar. Como todo plano em uma situação crítica, tem seus lados dolorosos". Enrique Pescarmona, do Grupo Pescarmona, definiu López Murphy como "muito realista", e disse que "as pessoas vão ter de entender este ajuste. Elas se adaptam mais do que os políticos". Luis Corsiglia, diretor da Bolsa de Comércio, disse que o pacote "foi uma valente decisão". Ele admitiu que na segunda-feira "os mercados ainda estarão difíceis", mas atribuindo esse panorama ao contexto internacional. "Para que venham investimentos precisamos mostrar que não vamos gastar mais do que temos e que faremos as reformas", disse. López Murphy referiu-se também à integração regional, afirmando que ela precisa ser feita "de forma mais aberta". Além disso, o ministro sustentou que é preciso avançar na integração com outros blocos regionais. Na sexta-feira à noite, no final de uma jornada agitada e pouco antes do anúncio do pacote de López Murphy, passou quase despercebida a informação divulgada pelo ministério da Economia de que a recessão permanece firme, já que a produção industrial de fevereiro caiu 2,9% em relação ao mesmo período do ano 2000.

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