Museu guarda acervo das drogas

Peças contam história dos cartéis

Renata Miranda, São Paulo, O Estadao de S.Paulo

16 de fevereiro de 2009 | 00h00

Os quadros de Diego Rivera e Frida Kahlo dificilmente serão encontrados no Museu de Enervantes, na Cidade do México. Em vez de obras de arte, o acervo do museu busca na guerra contra o narcotráfico suas peças para exibição.Ali estão expostas desde amostras das drogas mais consumidas no país até armas banhadas a ouro e cravadas de brilhantes. As peças refletem a cultura do exagero dos chefes dos grandes cartéis mexicanos e são pequenas pistas para desvendar os mistérios do submundo das drogas que tomou conta do México."O museu se transformou em um santuário da luta militar contra o narcotráfico", disse ao Estado o analista Guillermo Zepeda, coordenador do projeto de Segurança Cidadã do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento. "No entanto, o local não é muito conhecido e ter acesso às instalações da Secretaria de Defesa Nacional não é nada fácil."Inaugurado em 1985 no último andar do prédio do Ministério da Defesa na capital federal, a visita às galerias é restrita a policiais em processo de formação e visitantes selecionados. Lá, os jovens cadetes conhecem desde o uso religioso de alucinógenos em pequenas comunidades até a ascensão das organizações criminosas mais poderosas do mundo. "A maneira mais eficaz de combater o tráfico é entendê-lo melhor", afirmou o capitão Claudio Montane, um dos guias do museu, ao jornal The Guardian.Entre os objetos em exibição está uma pistola Colt coberta por esmeraldas que pertenceu a Joaquín Guzmán Loera, o líder do cartel de Sinaloa e um dos traficantes mais procurados do mundo. A arma está marcada com as iniciais ACF de Armando Carrillo Fuentes, que liderava o cartel Juárez, mas morreu durante uma cirurgia plástica em 1997.Outras peças curiosas são os bilhetes deixados pelos traficantes para os policiais que trabalham em regiões controladas pelos cartéis. "Com todo o respeito, reconheço que é o seu trabalho, mas quero negociar", afirma uma das cartas. "Aqui estão 100 mil pesos (cerca de US$ 7 mil) unilateralmente. Me ligue. Assinado: ?Um amigo?."Para Zepeda, é lamentável que a entrada no museu para o público seja proibida. "Um museu mais acessível permitiria conscientizar o povo da gravidade do problema. Em algumas regiões do país, os traficantes são vistos como heróis populares e isso é uma pena."

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