Musharraf admite ''''talebanização'''' do país

Presidente paquistanês promete combater milícia afegã

AP, AFP e Reuters, Cabul, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, admitiu ontem a existência de um processo de "talebanização" (aumento da ação da milícia Taleban) em seu país e prometeu perseverar na luta contra o extremismo. "Devemos lidar com mão firme contra terroristas e militantes estrangeiros que atuam no Paquistão", disse em uma reunião com um conselho formado por 700 líderes tribais, parlamentares e funcionários do governo do Afeganistão e Paquistão em Cabul, a capital afegã. Na quarta-feira, a imprensa paquistanesa publicou que Musharraf teria cogitado impedir as eleições parlamentares em seu país e impor um "estado de emergência" - medida que reduziria drasticamente a liberdade na nação asiática. O líder paquistanês teria considerado a medida por causa de uma onda de atentados lançada por militantes islâmicos no noroeste do país e declarações nos EUA de que uma ofensiva americana poderia ser lançada contra membros da Al-Qaeda e do Taleban no Paquistão. No entanto, um telefonema da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e críticas internas e externas teriam persuadido o líder paquistanês a voltar atrás. "Nossas sociedades enfrentam um grande perigo por causa de uma pequena minoria que quer impor violência e atraso", disse Musharraf na reunião, após pedir cooperação para derrotar os grupos radicais que atuam em território paquistanês. "Eles estão impedindo o nosso progresso."Musharraf admitiu que em seu país há pessoas "simpáticas à campanha do Taleban e suscetíveis ao extremismo". Ele também reconheceu que militantes taleban usam as regiões paquistanesas próximas ao Afeganistão como um refúgio seguro, depois que fazem atentados do outro lado da fronteira. "Para combater a talebanização e o extremismo é preciso uma estratégia de longo prazo, em que a ação militar deve ser combinada com uma abordagem política e planos de desenvolvimento socioeconômico" , disse.Durante o encontro, o líder paquistanês e o presidente afegão, Hamid Karzai, assinaram um acordo de seis pontos se comprometendo a erradicar o terrorismo da região. Musharraf tomou o poder num golpe militar em 1999 e vem sofrendo pressões internas para restaurar a democracia. Ele também é alvo de pressões dos EUA para impedir os militantes da Al-Qaeda e do Taleban de se reagruparem em território paquistanês.Ainda ontem, duas bombas explodiram em uma rua movimentada na cidade paquistanesa de Quetta, na província de Baluquistão, deixando sete feridos.

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