Musharraf 'afoga Paquistão no sangue', diz oposicionista

Ex-premiê Nawaz Sharif diz que presidente obedece "cegamente" ditames dos Estados Unidos

Agência Estado e Associated Press,

14 de janeiro de 2008 | 15h08

O líder oposicionista Nawaz Sharif acusou o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, de seguir "cegamente" ditames dos Estados Unidos e "afogar todo o país em sangue", em seu primeiro grande discurso de campanha depois do assassinato da ex-premiê Benazir Bhutto. Enquanto isso, o partido de Bhutto anunciou que está disposto a colaborar com Musharraf depois das eleições parlamentares de 18 de fevereiro, apesar da aparente impopularidade do presidente e denúncias de que integrantes de seu governo estariam envolvidos no assassinato da ex-premier, ocorrido duas semanas atrás.  Partido de Benazir poderá cooperar com Musharraf Os EUA esperam que as eleições tragam estabilidade para o Paquistão, seu aliado-chave na guerra contra o terrorismo. Tropas paquistanesas travam combates contra militantes islâmicos, muitos ligados à Al-Qaeda e ao Taleban. Na mais recente eclosão de violência, supostos militantes pró-Taleban emboscaram um comboio militar numa região tribal na fronteira com o Afeganistão, provocando confrontos que deixaram 23 milicianos e sete soldados mortos. Sharif, que foi derrubado por Musharraf num golpe em 1999, fez seus comentários num comício para 3 mil pessoas perto da capital, Islamabad. A dura crítica à aliança de Musharraf com o governo Bush parece ser uma tentativa de ganhar o apoio de muçulmanos conservadores. "Musharraf está destruindo o Paquistão. Ele está seguindo cegamente ordens de Washington", acusou Sharif. "Todo o Paquistão está se afogando em sangue". Sharif lidera um partido secular, mas já forjou no passado aliança com partidos islâmicos radicais. Ele denunciou que o Exército deixou "garotas crivadas de balas" depois que invadiu uma mesquita dominada por extremistas na capital no ano passado. O governo afirma que mais de 100 extremistas foram mortos na operação e nega que garotas estudantes estavam entre eles. Musharraf enfrenta a possibilidade de ver eleito um parlamento hostil, que busque seu impeachment. Mas nesta segunda, um porta-voz do Partido Popular do Paquistão, de Bhutto, afirmou que "todas as opções estão abertas" quando perguntado se a agremiação iria colaborar com Musharraf. "São pontes que vamos atravessar quando elas aparecerem", disse Farhatullah Babar, repetindo declarações dadas à mídia paquistanesa pelo marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, agora o líder de fato do partido. Analistas acreditam que qualquer cooperação entre Musharraf e o Partido Popular seria curta e instável, dada a provável oposição de seus militantes. Mas representaria a união de forças moderadas e seculares e seria bem recebida pelos Estados Unidos.

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