Musharraf alerta oposição para respeitar resultado de eleições

O presidente do Paquistão, PervezMusharraf, advertiu os partidos da oposição para que aceitem oresultado das eleições de segunda-feira no país e para que nãoprovoquem mobilizações caso não saiam vencedores. No mesmo pronunciamento, o dirigente garantiu que oprocesso será justo e livre. "Eles não deveriam ter a ilusão de que conseguirão levar opovo às ruas após o pleito. Nada do tipo será permitido",afirmou Musharraf, em um seminário transmitido na quinta-feirapelo canal Pakistan Television, controlado pelo Estado. "Na atual situação de extremismo e terrorismo, nenhum tipode agitação, anarquia ou caos será tolerado." Musharraf, que subiu ao poder ainda no cargo de general pormeio de um golpe realizado em 1999, deixou o posto decomandante das Forças Armadas em novembro após, em meio acircunstâncias que seus adversários descrevem cominconstitucionais, assegurar um segundo mandato de cinco anos. A votação de segunda-feira, na qual se escolherão uma novaAssembléia Nacional e novas assembléias provinciais, podeeleger um Parlamento hostil que tentaria eventualmente tirá-lodo cargo. Partidos da oposição acusaram o governo de tentar manipulara eleição a fim de favorecer os aliados de Musharraf eameaçaram lançar manifestações se sentirem que houve fraude. "Não sejam arrogantes se vencerem, e dêem provas dedignidade caso percam. Aceitem os resultados", disse opresidente, rejeitando as acusações da oposição. "Tenho consciência do fato de que essas eleições devem serlivres, justas e transparentes. E elas têm que ser vistas comolivres, justas e transparentes, além de pacíficas. O mundo todoestá nos observando", afirmou. "Garanto que essas eleiçõesserão livres e justas." Os EUA e outros aliados ocidentais do Paquistão temem que aeventual eclosão de uma onda de instabilidade no país, detentorde armas nucleares, beneficie os militantes ligados à Al Qaedae ao Taliban. Os níveis de violência aumentaram no país durante ospreparativos para a votação, inicialmente marcada para 8 dejaneiro, mas adiada após a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto,líder da oposição, ter sido assassinada. O Partido do Povo Paquistanês (PPP), ao qual Bhuttopertencia e hoje liderado pelo viúvo dela, Asif Ali Zardari,deve se transformar, em parte por conta da empatia despertadacom a morte da ex-premiê, na maior legenda da AssembléiaNacional, formada por 342 cadeiras. Uma pesquisa da BBC World Service/Gallup, realizada nofinal de janeiro, mostrou que quase dois terços dospaquistaneses acreditam que a renúncia imediata de Musharrafdiminuiria a violência no país. Por outro lado, menos de umterço deles considera legítima a reeleição dele, em novembro.

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