Musharraf anistia ex-premiê na véspera das eleições

Em busca de aliança para garantir vitória, presidente paquistanês retira acusações contra líder da oposição

Agências internacionais,

05 de outubro de 2007 | 12h15

Autoridades paquistanesas informaram nesta sexta-feira, 5, que o presidente general Pervez Musharraf assinou a anistia encerrando casos de corrupção contra a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto e outros políticos, abrindo caminho para uma aliança com o partido da exilada política. Em troca, o Partido Popular do Paquistão (PPP), ex-premiê e principal força opositora no Parlamento, não boicotará a eleição do presidente nas assembléias do país, segundo anunciou na quinta-feira a própria Bhutto em entrevista coletiva em Londres. A eleição presidencial no Paquistão deve ser realizada neste sábado, como planejado, mas a legalidade da candidatura do atual presidente do país, Pervez Musharraf, ainda está sendo questionada. Segundo a BBC, a Suprema Corte paquistanesa afirmou nesta sexta que o vencedor da eleição não será anunciado até que seja decidido se o general Musharraf pode concorrer à reeleição enquanto ainda ocupa o cargo de comandante das Forças Armadas. Embora a comissão eleitoral do país tenha aceitado a candidatura, a Justiça pediu mais tempo para analisar os argumentos. Complica a situação ainda mais o fato de que, segundo analistas políticos, Musharraf deve conseguir facilmente a reeleição - para isso ele tem que conseguir a maioria no Parlamento nacional e quatro assembléias provinciais que selecionam o presidente.  Os ativistas e advogados que organizaram os protestos na capital Islamabad e em diversas outras cidades dizem que o general Musharraf não poderia concorrer à reeleição pelo fato de acumular as funções de presidente e chefe das Forças Armadas. Em meio a essa disputa, o partido de Benazir vem negociando um possível acordo de divisão de poder com o presidente. Uma das exigências para o acordo é justamente que Musharraf renuncie a seu cargo militar. Musharraf assumiu o governo do Paquistão em um golpe militar em 1999. Até agora, ele tem afirmado que a Constituição garante o direito de manter o cargo de comandante das Forças Armadas. Mas os advogados de Musharraf disseram que, se ele for eleito para um novo mandato, o presidente vai renunciar à chefia do Exército em novembro.

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