Musharraf concede-se novos poderes antes das eleições

Apesar das intensas críticas, o presidente Pervez Musharraf determinou mudanças na Constituição paquistanesa que lhe outorgam amplos poderes, entre eles o de dissolver o Parlamento e estender seu próprio mandato presidencial. "O Paquistão está atravessando um momento crucial de transição", declarou o general Musharraf à imprensa, ao anunciar sua decisão de colocar em vigor as emendas, inicialmente divulgadas em junho. "Conduzimos o Paquistão de uma ditadura democrática a uma democracia eleitoral. Desejo introduzir (no país) uma ordem democrática sustentável." Os críticos, em compensação, afirmaram que as mudanças representavam um revés contra a própria democracia que Musharraf havia prometido restaurar, ao anunciar as eleições de 10 de outubro para o Parlamento nacional e os Legislativos provinciais. "Não cremos que nenhum indivíduo ou grupo tenha o direito de emendar a Constituição", disse Raza Rabbai, do opositor Partido Popular Paquistanês, liderado pela ex-primeira-ministra Benazir Bhutto. "Isto é uma prerrogativa exclusiva do Parlamento". Outras emendas formalizaram uma extensão de cinco anos no cargo para Musharraf, que foi obtida em um polêmico plebiscito realizado em abril. Também deu aos militares um papel formal no governo, através de sua representação no conselho Nacional de Segurança, que supervisionará os governantes eleitos. Musharraf tomou o poder em 12 de outubro de 1999, em um golpe incruento que derrubou o primeiro-ministro Nawaz Sharif. O Tribunal Supremo declarou que o golpe era legal, mas insistiu em que um novo governo civil assumisse ao final de três anos. Musharraf convocou eleições para 10 de outubro, ou seja, dois dias antes do vencimento do prazo.

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