Musharraf critica lei dos EUA que condiciona ajuda ao Paquistão

Para presidente, um ataque americano em solo paquistanês seria contraproducentes no combate ao terrorismo

Reuters e Associated Press,

07 de agosto de 2007 | 11h39

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, importante aliado dos Estados Unidos na Ásia, disse na terça-feira que as relações bilaterais estão ameaçadas por uma nova lei americana que vincula a ajuda ao Paquistão a progressos na repressão contra militantes da Al Qaeda e do Taliban no país.Essa norma é parte de uma lei bem mais ampla, sancionada na semana passada pelo presidente George W. Bush, que institui algumas das recomendações da comissão oficial que investigou os atentados de 11 de setembro de 2001.Musharraf disse na terça-feira ao vice-líder democrata no Senado dos EUA, Richard Durbin, que está no Paquistão, que a nova lei "constitui uma provocação na relação bilateral, que deve se basear na confiança em avançar em questões do interesse comum", a citação consta em nota da chancelaria paquistanesa.O governo Bush inicialmente considerava que qualquer pré-condição à ajuda seria contra-producente no estabelecimento de relações mais estreitas com Islamabad.As regiões tribais paquistanesas na fronteira com o Afeganistão, onde há pouca presença do Estado, são consideradas refúgios da Al Qaeda e de seus aliados. Nas últimas semanas, Musharraf está sob crescente pressão dos EUA para reprimir essa presença de militantes. Acredita-se que o milionário saudita no exílio Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, viva no lado paquistanês da remota região de fronteira com o Afeganistão.   Recentemente, o pré-candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, comentou: "Se tivermos dados de inteligência sobre alvos terroristas importantes que demonstrem que uma punição é necessária e o presidente Musharraf não agir, nós agiremos". Em conversa telefônica com Musharraf na semana passada, Bush qualificou essa opinião,  da qual no passado compartilhou,  como "de mau gosto", e afirmou respeitar a soberania paquistanesa.Também na semana passada, o subsecretário de Estado Nicholas Burns elogiou o papel de Musharraf contra a militância, referindo-se ao presidente paquistanês como "nosso parceiro indispensável".Analistas dizem que uma ação unilateral dos EUA no Paquistão representaria um grande risco para Musharraf, que enfrenta o período de maior fraqueza política nos seus oito anos de poder.Depois de tentar demitir o presidente da Suprema Corte, o presidente foi obrigado a recuar. Além disso, há também as reações pelo ataque militar de julho à Mesquita Vermelha de Islamabad, reduto de militantes islâmicos.O Paquistão rejeita repetidamente a presença de tropas dos EUA em seu território e diz ser capaz de lidar sozinho com os militantes. Nas últimas semanas, houve vários confrontos entre forças oficiais e militantes na região do Waziristão, onde há forte apoio à Al Qaeda.Na terça-feira, militares com apoio de helicópteros atacaram esconderijos de militantes no Waziristão do Norte. Três pessoas ficaram feridas.

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