Musharraf dá posse a novo premiê no Paquistão

O presidente paquistanês, PervezMusharraf, deu posse na terça-feira ao novo primeiro-ministrodo país, Yousaf Raza Gilani, eleito na véspera pelo Parlamento,agora dominado pela oposição. Musharraf está cada vez mais isolado, e um sinal disso foia ausência na cerimônia dos dois principais dirigentes dopartido de Gilani, Asif Ali Zardari e Bilawal Bhutto Zardari,respectivamente viúvo e filho da ex-primeira-ministra BenazirBhutto, assassinada em dezembro. "Longa vida a Bhutto", gritou um espectador nas galeriasquando Gilani completava seu juramento. Musharraf e Gilaniapertaram as mãos ao final da cerimônia. O novo premiê pediu que os partidos políticos trabalhem emconjunto para resolver os problemas do país, principalmente asdificuldades econômicas. "Todas as forças têm que se unir e tirar o país dessacrise, e para isso é preciso o apoio de todos", disse Gilani aolado de Musharraf após ser empossado. A TV pública disse que Zardari e seu filho, que estuda naGrã-Bretanha, foram convidados para a cerimônia, transmitida aovivo. A popularidade de Musharraf praticamente desapareceu noúltimo ano, e seus aliados foram fragorosamente derrotados naseleições de 18 de fevereiro, vencidas pelo partido de Bhutto. O ex-premiê Nawaz Sharif, cujo partido ficou em segundolugar, também recusou o convite para assistir à cerimônia,segundo a TV local. Sharif, deposto pelo general Musharraf num golpe em 1999,participa de uma coalizão com o partido de Bhutto e duas outrasagrupações menores. O ex-premiê, que prega a renúncia de Musharraf, reunia-secom o subsecretário de Estado dos EUA John Negroponte e com osecretário-assistente de Estado Richard Boucher enquanto Gilanitomava posse. Os dois norte-americanos, que chegaram ao Paquistão naterça-feira, também deveriam se encontrar com Gilani eMusharraf, segundo a imprensa local. Os EUA e outros aliados ocidentais temem que um atritoentre o presidente e o novo governo gere mais instabilidade noPaquistão, um aliado que tem armas nucleares e enfrenta umaonda de ataques de militantes inspirados na Al Qaeda. (Reportagem adicional de Simon Cameron-Moore)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.