Musharraf decide não impor 'estado de emergencia' paquistanês

Presidente garantiu também que eleições ocorrerão, 'livres e transparentes', desmentindo vice-ministro

Efe,

09 de agosto de 2007 | 10h40

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, descartou nesta quinta-feira, 9, a imposição do estado de exceção no país e defendeu a realização de eleições "livres e transparentes", informou uma fonte oficial. O ministro da Informação, Muhammad Ali Durrani, disse à televisão estatal que o presidente tomou essa decisão nesta quinta, após manter "agitadas consultas com seus colegas", segundo a agência oficial APP. De acordo com Durrani, Musharraf considerou que não há justificativa para declarar o estado de exceção, possibilidade que o vice-ministro da Informação, Tariq Azeem, disse horas antes que o presidente estava estudando, devido à instabilidade na fronteira com o Afeganistão e às ameaças de ataques dos Estados Unidos. Junto ao desmentido do ministro, a Presidência paquistanesa emitiu um comunicado segundo o qual Musharraf rejeitou as "sugestões" de seus aliados políticos para que imponha o estado de exceção. O presidente já estava "reticente" a declarar o estado de exceção, mas esteve "sob pressão" de seus principais assessores para adotar a medida, explicou a nota oficial. Uma fonte governamental atribuiu a decisão de Musharraf a pressões dos Estados Unidos. Segundo esta versão, embora o presidente paquistanês estivesse disposto a declarar o estado de exceção, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, fez com que ele mudasse de idéia em uma conversa por telefone esta madrugada. União antiterror O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e o primeiro-ministro do Paquistão, Shaukat Aziz, reconheceram hoje que os dois países estão "estreitamente ligados" e reconheceram a necessidade de unir forças para combater o extremismo e o terrorismo. Os políticos fizeram as declarações na abertura da Loia Jirga, a assembléia tribal afegã. O encontro deve durar três dias e discutir a segurança fronteiriça, e marcada pela ausência do presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, que na quarta-feira anunciou que seria substituído por Aziz na reunião devido a "compromissos" em Islamabad. "Tenho certeza de que o terrorismo pode diminuir amanhã mesmo se Afeganistão e Paquistão unirem forças para combatê-lo juntos, e nós nos reunimos hoje para este propósito", disse Karzai. O presidente afegão pediu o "sucesso" da reunião de paz, com a presença de centenas de representantes dos dois países. Entre eles, estavam líderes tribais da instável região de fronteira, onde os Estados Unidos acreditam que dirigentes taleban e da Al-Qaeda estejam refugiados. Aziz ressaltou que "os destinos da população do Afeganistão e Paquistão estão ligados". "Compartilhamos a mesma história, representamos a mesma tradição e cultura do Islã. Estes laços mostram nossa interdependência no passado e presente, e nos mostram que temos que trabalhar juntos por nosso futuro", acrescentou. Aziz também comentou as freqüentes acusações do Afeganistão, insistindo que são "infundadas". Os afegãos mais de uma vez afirmaram que o Paquistão não faz o suficiente para controlar extremistas em seu território. "Primeiro, e antes de tudo, os taleban são afegãos", disse o primeiro-ministro. Aziz também afirmou que para controlar a segurança e os movimentos fronteiriços, "ambas as partes são responsáveis", e se mostrou disposto a avaliar novas medidas de coordenação com as forças afegãs para vigiar a fronteira. A reunião dos representantes dos países deve durar até sábado, e Karzai e Aziz devem divulgar as conclusões no domingo.

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