Musharraf defende economia e estabilidade do Paquistão

Em Davos, presidente reafirma promessa de eleições justas e prioriza combate à Al-Qaeda no país

DOMINIC EVANS, REUTERS

24 de janeiro de 2008 | 11h18

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, disse na quinta-feira, 24, que o mundo deveria julgar seu país por seus progressos econômicos e pela luta contra os militantes, e não segundo os conceitos ocidentais de direitos humanos e democracia. Reiterando a promessa de realizar eleições livres e limpas em fevereiro, Musharraf estabeleceu para o Paquistão prioridades que dão maior ênfase à economia e ao combate à Al-Qaeda do que à eleição de 18 de fevereiro, que deveria completar a transição para um regime civil. "Julguem o desempenho econômico, o bem-estar do povo e a estabilidade política", disse Musharraf a líderes empresariais e políticos reunidos no Fórum Econômico Mundial, na Suíça. "Por favor não julguem sobre percepções ocidentais talvez irrealistas de democracia e direitos humanos." Musharraf, que assumiu o poder por meio de um golpe em 1999, impôs estado de emergência em novembro, a fim de afastar juízes que poderiam anular sua reeleição. As restrições aos direitos individuais permanecem, apesar de as medidas terem sido revogadas formalmente em dezembro. "As eleições devem ser livres, justas e transparentes. E eu acrescentei outra palavra -- pacíficas", disse Musharraf na quinta-feira. "Vamos garantir que elas sejam pacíficas." O pleito ocorrerá ainda sob o impacto do assassinato da líder oposicionista Benazir Bhutto, ocorrido no final de dezembro, além de vários outros ataques e explosões suicidas. O governo atribui a violência a militantes refugiados nas áreas tribais da fronteira com o Afeganistão, especialmente ligados à Al-Qaeda e ao Taleban. O presidente não disse se irá reempossar os juízes da Suprema Corte para que decidam sobre possíveis queixas de fraude eleitoral. "Olhem para o Paquistão com olhos paquistaneses, não com olhos estrangeiros. Vocês deveriam ver nosso desempenho, o bem-estar do povo, se o progresso econômico do país está sendo tratado, e se estamos avançando." Musharraf dividiu a tribuna com o líder interino de Bangladesh (país que já pertenceu ao Paquistão), Fakhruddin Ahmed, que também prometeu eleições livres e justas até o fim do ano. Ahmed chegou ao poder há pouco mais de um ano, com apoio dos militares, e em seguida impôs estado de emergência, cancelou as eleições previstas para aquele mês e deteve mais de 170 políticos, acusados de corrupção e abuso de poder, entre eles as ex-primeiras-ministras Sheikh Hasina e Begum Khaleda Zia.

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