Musharraf desiste de estado de emergência

Presidente paquistanês volta atrás após pressão interna e telefonema de Condoleezza

AP, Reuters e AFP, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

O presidente Pervez Musharraf voltou atrás ontem na idéia de impor estado de emergência no Paquistão - medida que reduziria drasticamente a liberdade no país - e se comprometeu a levar adiante as eleições parlamentares previstas para o fim do ano.A mídia paquistanesa informou na quarta-feira que Musharraf pretendia declarar o estado de emergência por causa de ''''ameaças internas e externas'''' - a onda de atentados lançada por militantes islâmicos no noroeste do país e declarações nos EUA de que uma ofensiva americana poderia ser lançada contra membros da Al-Qaeda e do Taleban no Paquistão.Musharraf voltou atrás depois de intensas críticas dentro e fora do governo e de um telefonema da secretária americana de Estado, Condoleezza Rice. Fontes de alto escalão do governo paquistanês disseram que Condoleezza ajudou a persuadir Musharraf a não impor o estado de exceção, que seria visto como mais um sinal do enfraquecimento do presidente. Ele pretende ser reeleito pelo Parlamento e pelos Legislativos regionais (para mais um mandato de cinco anos) entre setembro e outubro, antes da dissolução dessas assembléias para a realização das eleições parlamentares. O estado de emergência - que proíbe reuniões públicas e restringe a atuação dos meios de comunicação, entre outras medidas - provavelmente levaria ao adiamento das eleições.Musharraf, que tomou o poder em um golpe militar em 1999, vem sofrendo intensas pressões internas para restaurar a democracia. Também é alvo de pressão dos EUA para impedir os militantes da Al-Qaeda e do Taleban de reagrupar-se na fronteira com o Afeganistão.O presidente americano, George W. Bush, pediu ontem a cooperação do Paquistão contra os extremistas e exortou Musharraf a realizar eleições livres e justas. ''''Espero cooperação total no compartilhamento de informações de inteligência e ações rápidas contra terroristas no Paquistão se ele (Musharraf) obtiver dados confiáveis sobre seus paradeiros'''', declarou Bush. O líder americano disse estar confiante na capacidade de Musharraf de agir contra os militantes, mas rejeitou confirmar se os EUA lançariam uma ofensiva contra terroristas no Paquistão sem autorização de Islamabad.

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